Mostrando postagens com marcador molusco. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador molusco. Mostrar todas as postagens

15 de nov. de 2023

Caramujos da felicidade

    Tudo começou com um trabalho de escola, mas não… Antes eu já catava caramujos na praia e levava para casa. Tinha uma caixa de sapatos cheia de conchas misturadas, mas nesse trabalho foi a primeira vez que pesquisei e identifiquei todas as espécies das conchas que eu tinha: nome científico, local de ocorrência, alimentação… Foi bem lindo! Apresentei um trabalho sobre moluscos com um cartaz cheio de conchas identificadas, mais alguns caramujos bem enormes e um potinho com ermitões em conchas de caramujo para explicar que não eram moluscos. Só não esperava o impacto que teria esse trabalho apresentado em 1997 mais ou menos.


    Dali para frente fui juntando mais espécies de caramujos e guardando identificadas. Virou uma caçada por conchas que eu não tinha ainda. No fim eu estava ficando com uma variedade linda e todos com suas devidas informações.


    Com o tempo fui pesquisando cada vez mais e descobri o hobbie da conquiliologia (colecionadores de conchas). Passei  a fazer trocas pela internet e hoje tenho um acervo vindo do mundo inteiro.


    Em 2023 decidi finalmente as organizar em um caderno. Parece bobagem, mas era um sonho que eu já tinha. Antes apenas as fotografava e colocava as informações e guardava em um álbum da internet (estão quase todas fotografadas aqui) e era assim que ficava. Agora numerei cada uma com o número correspondendo a página do caderno que tem as informações da espécie (nome científico, nome popular, país de origem, ambiente, dieta, tamanho…). 


    Comprei um caderno simples e o modifiquei para ficar com a cara certa e receber todos os registros:




    Até o momento tenho 151 espécies diferentes identificadas neste caderno, mas tenho muito mais de 151 indivíduos na coleção (alguns repetidos, outros são variantes como albinos e filhotes) e quero que o número cresça sempre!


    Nunca matei nenhum animal para ter sua concha, então por várias vezes joguei de volta no mar animais que eu não tinha na coleção ou mesmo ermitões que tinham pego as conchas antes de mim! É injusto tirar uma parte de alguém por puro hobbie ou mesmo a casa que o cara teve trabalho para encontrar no tamanho correto. 


    Só fico com saudade da época em que as praias eram mais limpas. Hoje é mais fácil encontrar chinelos de borracha do que caramujos na areia.

4 de abr. de 2010

Caramujo Gigante Africano

Reino: Animalia
Filo: Mollusca
Classe: Gastropoda
Ordem: Stylommatophora
Família: Achatinidae
Subfamília: Achatininae
Género: Achatina
Espécie: Achatina fulica

Origem: Leste e Nordeste da África

Foto: http://superlative1.wordpress.com

Introduzido ilegalmente no Brasil, o Caramujo Africano virou uma praga devoradora de plantações e disseminadora de doenças.

Foi introduzido no Brasil por volta do anos 80 na tentativa de ser comercializado de forma mais barata e alternativa ao Escargot (Helix aspersa).

Após o fracasso da tentativa de comercialização desta espécie para fins gastronômicos, muitos de seus criadores soltaram os animais na natureza sem o menor cuidado com as conseqüências.

Nativo da África, está distribuído em muitas regiões do mundo por causa desta “bobeira” e hoje representa uma das mais conhecidas pragas.

No Brasil, os caramujos estão distribuídos por quase todo o território.

É a espécie exótica que mais causa problemas para a agricultura brasileira e também é considerada uma das 100 piores espécies invasoras de todo o mundo.



Parando um pouco de falar mal do animal...

Desenvolvem-se muito bem em climas quentes e úmidos. Sobrevive em florestas, caatingas, brejos, terrenos baldios, quintais, jardins e outras áreas de vegetação como plantações de frutas e hortas.

É conhecido por diversos nomes. No Brasil é comum ser chamado de Caramujo Africano Gigante, ou mesmo do seu primeiro nome científico: Achatina.

No entranto, também é conhecido por Caracol-Africano, Caracol-Gigante, Caramujo-Gigante e Rainha da África.

Erroneamente suas conchas são comercializadas com os nomes: Caracol-Chinês, Caramujo-Chines e Gigante Chinês, mas sabe-se que a espécie é africana.

Podem atingir até 20 centímetros de concha e pesar 50 gramas.

Por causa de condições climáticas, as espécies no sudoeste brasileiro são menores e mais leves. Em média possuem 10 centímetros de concha e pesam somente 100 gramas.

Os indivíduos jovens e adultos são iguais, variando somente o tamanho.

Resistem a variações altas de temperatura.

Foto: http://szabakareptiles.extra.hu

Passam o dia escondidos e saem para reproduzir e alimentar-se a noite. Após as chuvas (tanto faz ser dia ou noite), costumam aparecer em maior escala.

Nos períodos mais secos do ano, costuma recolher-se nas conchas e enterram-se. Para proteger-se melhor do frio produzem uma película na entrada da concha que a fecha completamente.

Alimenta-se de folhas, flores e frutos. Também pode ser canibal, devorando ovos e outros caramujos para sobreviver em ambientes de pouco cálcio.

Seu apetite é voraz e o número de indivíduos numa região pode ser alto, pois reproduz com facilidade. Por causa disto, tornou-se uma praga agrícola.

Conseguem atacar e destruir plantações inteiras, especialmente de mandioca, feijão, batata-doce, amendoim, mamão, tomate, abóbora e outras verduras e frutas.

Foto: baixaki.com.br

Alimenta-se de aproximadamente 500 espécies de plantas diferentes, diminuindo a oferta de alimento para as espécies nativas. Acredita-se que esteja causando o desaparecimento do caramujo brasileiro Aruá-do-Mato (Megalobolimus spp).

Como já citei, reproduz-se com muita facilidade. Atinge a maturidade sexual por volta dos 5 meses de vida.

Ambos os indivíduos são fecundados, já que são hermafroditas. Este tipo de reprodução perpetua de maneira maior e mais rápida a espécie.

Podem realizar uma média de cinco posturas por ano de 50 a 400 ovos por postura.

Os ovos são pequenos de coloração branco amarelada e possuem o tamanho de uma semente de mamão.

foto: www.pmf.sc.gov.br

O período de encubação é rápido: cerca de 1 a 15 dias.
com
Este caramujo é responsável por disseminar dois parasitas para o homem, são eles os vermes Angiostrongylus cantonensis e Angiostrongylus costaricensis.

O verme Angiostrongylus costaricensis é causador de uma doença conhecida como Angiostrongilíase Abdominal, já comum no Brasil e que pode resultar em óbito.

Foto: http://www.scielo.br

Por causa dessas doenças, diversas campanhas de combate ao caramujo foram criadas.

Para combater a espécie é preciso primeiro ter certeza de que se trata de um caramujo Achatina fulica. Em seguida elimina-los a mão.

O combate com produtos químicos não é recomendado, pois contamina o solo e água.

Com luvas descartáveis, deve-se colocar os caramujos em um saco plástico e esmaga-los pisando em cima, em seguida coloca-los em um buraco de pelo menos 80 centímetros longe de valas, cisternas e lençóis freáticos.



Os animais devem ser enterrados neste buraco sem jogar sal, pois este também contamina o solo. Deve-se jogar cal virgem nos caramujos mortos e fechar o buraco.

O caramujos mortos não devem ser jogados no lixo, pois assim você estará ajudando a disseminar as doenças transmitidas pelo mesmo.

Por fim, deve-se destruir seus ovos com uma vassoura de grama (aquelas com cerdas de metal) e observar o local onde os animais foram capturados por pelo menos três meses para não haver reinfestações.




13 de fev. de 2010

Pente-de-Vênus

Reino: Animalia
Filo: Mollusca
Classe: Gastropoda
Ordem: Sorbeoconcha
Família: Muricidae
Género: Murex
Espécie: Murex pecten

Origem: Leste do Oceano Índico, Japão e Pacífico



Para a postagem de hoje, decidi pegar uma das jóias de minha coleção de conchas: o Murex pecten.

Adimiro muito as conchas do gênero Murex pelas formas e espinhos.

O Murex pecten está entre as conchas com maior número de espinhos (mais de 100).

Esta espécie pode ser facilmente confundida com outras, mas ao reparar o número de espinhos logo você verá se é uma pectren ou não.

Murex troscheli (esquerda) e Murex pecten (direita). Facilmente diferenciados pelo número de espinhos e cores

Conhecida pelo nome Pente-de-Vênus, este murex vive nos litorais do Leste do Oceano Índico, Japão e Pacífico.

É carnívoro, alimenta-se de outros moluscos.

Seus espinhos são utilizados como proteção contra ataque de outros animais. Por possuir um número grande dos mesmos, fica incapacitada de enterrar-se como muitos moluscos comumente fazem.

Sua concha varia de 10 a 15 centímetros de tamanho.



Não é uma raridade entre colecionadores. Pode ser encontrada para a venda facilmente. No entanto, é raro encontrar um exemplar com todos os frágeis espinhos em estado perfeito.

Procurei fotos do exemplar vivo pela internet e nada encontrei. É um molusco que pouco se sabe ao seu respeito. Este exemplar apresentado nas fotos foi retirado diretamente de minha coleção.



Curiosamente foi alvo de cobiça na Idade Antiga. Os fenícios utilizavam este molusco para produzir o corante de púrpura (contido no interior do animal) que era considerado extremamente valioso.




Os comentários foram desativados:

tenho de 70 a 100 visitantes por dia e quase nenhum comentário nas postagens, apenas no meu e-mail. 

Acabei achando a sessão inútil de manter. Contato: JulianaOdeiaCafe@gmail.com