31 de ago. de 2020

Ascaris suum

É legal atualizar para não perder o costume, então boooooooooooora falar de vermes? Hummm... Pelo menos um que é menos popular: Ascaris suum.


Um porquinho fofinho para a imagem inicial não ser tão medonha! hahaha

Fonte: Oinque Mini Pig (2020)

A pesquisa detalha aspectos da transmissão (tanto para porco como para humanos) dessa verminose, juntamente com a descrição de seus sinais clínicos, etiologia, métodos de diagnóstico, tratamento e prevenção. Também são abordados os questionamentos e estudos sobre as diferenças entre os vermes Ascaris lumbricoides e Ascaris suum.


1 ETIOLOGIA


Ascaris suum é verme responsável por causar a doença conhecida como ascaridíase em suínos: “uma das helmintoses mais importantes nestes animais, causando prejuízos, devido à perda de peso, atraso no crescimento, perdas reprodutivas, rejeição para consumo de fígado e pulmões, devido às migrações das larvas” (BARBOSA, 2015). O percentual de produtividade dos animais infectados é reduzido drasticamente em até 30% e há casos de morte entre os mais jovens (AGROLIB, 2019).



1.1 Verme


“Foi descrito pela primeira vez pelo zoólogo alemão Johann Goeze no ano de 1782” (MAESTRO VIRTUALE, 2020). O verme é redondo e branco rosado. Os machos apresentam de 10 a 15cm de comprimento e as fêmeas de 20 a 40cm. Quando adultos localizam-se no intestino delgado de porcos (SANAVRIA, 2020). São endoparasitas, ou seja, ficam alojados dentro do hospedeiro e alimentam-se dos nutrientes ingeridos pelo mesmo. Possuem reprodução sexual com fertilização interna e as fêmeas depositam um grande número de ovos que são liberados pelas fezes do animal infectado.  (MAESTRO VIRTUALE, 2020). Também “são animais com simetria bilateral e durante seu desenvolvimento embrionário, apresentam três camadas germinativas: mesoderma, ectoderma e endoderma. Essas camadas dão origem a todos os órgãos com funções especializadas” (MAESTRO VIRTUALE, 2020).


Figura 1 - Espécime feminino e masculino de Ascaris suum.

Fonte: Maestro Virtuale, 2020


Possuem dimorfismo sexual: as fêmeas são maiores e apresentam um alargamento no corpo e o macho possui sua extremidade traseira curvada com extensões chamadas espículas que são usadas no ato copulatório (MAESTRO VIRTUALE, 2020).


Figura 2 e 3 - Ponta da cauda de um macho com seu espículo (esquerda) e cauda romba da fêmea (direita)

Fonte: Seropédica, 2016


1.2 Ovos


Os ovos desse verme são envoltos por uma casca composta por três camadas: uma externa de cor marrom amarelada, uma intermediária composta de proteínas e quitina e uma interna composta de lipídios (sendo essa última impermeável protegendo o embrião da entrada de substâncias tóxicas). Seu tamanho é de 61 e 75 microns de comprimento por 50-55 microns de largura. Os ovos não fertilizados são alongados e estreitos e os férteis arredondados com uma massa de grânulos não organizados em sua parte interna. (MAESTRO VIRTUALE, 2020).


Figura 4 - Ovos fecundados.

Fonte: Pinterest, 2020


Uma fêmea pode produzir de 100 a 250 ovos. Caso esses ovos caiam em um  ambiente favorável (ao serem eliminados pelas fezes do porco), com oxigênio, água, a temperatura necessária de 15 a 35 graus (o mais adequado é de 24 a 26 graus), então eles se desenvolvem para a fase invasiva entre 3 e 4 semanas (AGROLIB, 2019).



1.3 Ciclo de vida


Resumidamente seu ciclo de vida normal é: no estado de ovo e entrar por via oral (geralmente pela alimentação)  para logo migrar em forma de larva para o fígado, pulmão e finalmente chega à traqueia. O animal infectado vai engolir as larvas que terão o intestino como destino. Ao chegar nele, começam a se desenvolver para virarem adultos (o processo dura em torno de 21 dias). Após o verme chegar em sua fase adulta, começam a colocar ovos - em torno de 70 dias (CUBILLOS, 2012).


 Figura 5 - Ciclo do verme Ascaris suum

Fonte: Cubillos, 2012



1.4 Diferença entre Ascaris suum e Ascaris lumbricoides


As duas espécies adultas são macroscopicamente semelhantes e o diagnóstico da doença não é capaz de diferenciar os ovos de origem humana e animal, porém, são consideradas como distintas com diferenças morfológicas microscópicas de difícil visualização (BARBOSA, 2015).  De acordo com Santos (2020):

 As duas espécies são morfologicamente e geneticamente muito semelhantes, sugerindo que o ascarídeo suíno A. suum e A. lumbricoides sejam a mesma espécie, ocorrendo transmissão cruzada de caráter zoonótico entre pessoas e seus porcos. Alguns estudiosos acreditam ser uma variedade ou subespécie, outros sugerem distinção entre as espécies, que teriam hospedeiros específicos. 

 

Figura 6 - Ciclo biológico do A. lumbricoides. Ovo embrionado infectante contendo larva L3 (1),Ingestão do ovo (2), Eclosão e liberação da larva(3), Invasão da larva pela mucosa intestinal(4), Carreamento da larva pelo sistema porta(5), Larva nos pulmões (6), transformação para larva L4(7), Larva ascende a árvore brônquica sendo deglutida, Parasitos jovens no intestino delgado onde se desenvolvem em adultos (8), acasalam, Fêmea começa a postura de ovos para serem eliminados junto às fezes, para o embrionamento no meio ambiente(9), Ovos (10), Ovo L1 (11) e Ovo L2 (12).

Fonte: Barbosa, 2015


No trabalho de Barbosa (2015), temos a seguinte informação sobre a diferença entre as espécies adultas de Ascaris lumbricoides e Ascaris suum que pode ser visualizada apenas microscopicamente: “a margem serrilhada nos lábios que envolvem a boca, apresentando dentículos côncavos em A.lumbricoides e os dentículos são triangulares apresentando as bordas retas em A. suum” e completa que: “Entretanto vários autores contestam essa classificação devido a elevada identidade genética entre estas espécies”.


Figura 7 - Parasito. Morfologia dos dentículos, em microscopia óptica,apresentando bordas triangulares típico da espécie A. suum

Fonte: Barbosa, 2015


Ainda não se tem muitas informações sobre as diferenças entre as espécies, mostrando que alguns estudos genéticos sugerem que  A. suum seja similar ao A. lumbricoides, mesmo existindo diferenças específicas quanto ao hospedeiro definitivo (humano o porco). Infecções cruzadas podem ocorrer, apesar deste fato e a natureza do A. suum não estarem totalmente esclarecidos. Os estudos a respeito das diferenças não param, pois compreender mais sobre o parasita é fundamental para elaborar programas efetivos de controle (BARBOSA, 2015). 


Figura 8 - Casal de vermes. Esses organismos podem ser considerados representativos do gênero Ascaris, pois tanto seu comportamento quanto seu ciclo de vida são típicos de seus membros.

Fonte: Maestro Virtuale, 2020



2 TRANSMISSÃO 


Na maioria das vezes a transmissão ocorre quando um porco ingere ovos infestados junto de ração e água ou quando não possuem minerais e instintivamente comem terra contaminada por ovos (AGROLIB, 2019). As porcas podem infectar seus filhotes os lambendo (AGROLIB, 2019) ou enquanto mamam com a ingestão de ovos presos nas mamas (por falta de higiene do local de criação) durante a lactação (CUBILLOS, 2012).


Figura 9 - Mãe e filhotes em ambiente limpo

Fonte: Agrolib, 2019


A questão da higiene é uma das chaves para a contaminação, pois “na maioria das vezes, a infecção ocorre quando a pocilga está muito suja, os pisos da sala estão soltos e o terreno em si está localizado em um vale, portanto os quartos estão úmidos” (AGROLIB, 2019).


Uma das transmissões menos lembrada na literatura é através e minhocas: as vezes elas contribuem para a propagação da doença, dentro da qual a larva sai, além de muitos insetos carregarem ovos acidentalmente (AGROLIB, 2019).


2.1 Infecção em humanos


Ascaris lumbricoides, Linnaeus, 1758 e Ascaris suum, Goeze, 1782, são nematódeos parasitos que foram descritos primariamente infectando humanos e suínos respectivamente [...] Embora A. lumbricoides e A. suum infectem preferencialmente e respectivamente humanos e suínos, a natureza zoonótica destes parasitos não está esclarecida” (BARBOSA, 2015).  O trabalho de pós graduação de Santos (2015) sugere um cenário onde não é tão incomum assim humanos serem infectados por A. suum:

Infecções cruzadas experimentais têm demonstrado que A. suum pode infectar os seres humanos, assim como A. lumbricoides pode infectar suínos. Estudos moleculares mostraram que as infecções humanas por Ascaris nos países desenvolvidos são predominantemente de origem suína, [...]. 

A infecção humana foi causada por uma forma híbrida de Ascaris, mais provavelmente transmitido pelos porcos. Investigações clínicas sugerem a existência de transmissão zoonótica, uma vez que quase 80% dos casos humanos zoonóticos descritos na literatura mostram baixa carga parasitária, ao passo que nos países em desenvolvimento predomina a transmissão pessoa a pessoa. 

Recentemente, tem sido sugerido que A. suum atue como uma fonte de ascaridíase humana na China, tendo em vista que 14% dos vermes em humanos foram derivados de suínos (ou seja, eram de origem zoonótica), indicando que a transmissão cruzada em áreas de endemicidade pode ser mais comum do que se imaginava inicialmente.


A pesquisa para o programa de pós-graduação em imunologia e parasitologia aplicadas de Lopes (2018) segue um quadro semelhante:

Estudos relacionados à infecção cruzada demonstraram que A. lumbricoides tem a habilidade de infectar suínos, e A. suum, seres humanos. Em uma pesquisa realizada na Dinamarca, foram encontrados hospedeiros humanos infectados com parasitos de origem suína[...]. Em países em desenvolvimento[...] é comum encontrar genótipos de Ascaris típicos de suínos em humanos. Pode-se interpretar que essa seja uma indicação de que a infecção cruzada também ocorra nessas regiões, e, portanto, há um potencial zoonótico nesses animais.


Apesar de ambas as espécies demonstrarem forte afinidade por seus hospedeiros convencionais, existe sim um grande risco de contaminação cruzada de A. suum em humanos e A. lumbricoides em porcos, classificando o problema como uma zoonose.



3 SINAIS CLÍNICOS


Os diversos sintomas que atingem porcos são: gástricos (hepatites traumáticas), trófico (perda de pelos), nervosos (epilepsia), tosse, pneumonias, enfisema e crescimento retardado. Pode haver diarréia entre os animais contaminados, mas certamente o efeito mais economicamente negativo é a interferência com a nutrição apropriada e o crescimento normal. Acidentes estranhos também podem acontecer nos animais infectados, como: oclusão do ducto biliar ou perfuração da parede intestinal (CUBILLOS, 2012).


Alguns dos sinais clínicos mais comuns em porcos é o de de severa angústia respiratória, edemas, hemorragias pulmonares e desnutrição, sendo cada nível da doença caracterizado por diferentes sintomas visíveis (SANAVRIA, 2020).


3.1 Casos menos agudos


De acordo com Sanavria (2020): "os casos menos agudos são distinguidos por angústia respiratória, desnutrição em graus variáveis e lesões de pneumonia intersticial.


3.2 Casos Crônicos


Nesse caso os suínos acabam tornando-se inaproveitáveis sob o ponto de vista econômico. na ascaridíase crônica, os animais apresentam definhamento e emaciação, além de uma grande quantidade de ovos do verme eliminado nas fezes. Fibrose hepática e lesões de pneumonia intersticial também estão entre os sintomas (SANAVRIA, 2020).



4 DIAGNÓSTICO


De acordo com o professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Sanavria (2020), "o diagnóstico da ascaridiose clínica frequentemente depende de achados clínicos de necropsia, porque os principais eventos patológicos ocorrem durante o estágio pré patente”. 


Pode-se usar exames como método de Fulleborn ou Kalantaryan (AGROLIB, 2019). A análise fecal é a forma mais comum de diagnosticar a infestação em um animal: as fezes são recolhidas diretamente do reto com recipientes próprios ou luvas e tenta-se conservar a umidade do material fecal. Após recolhidas e devidamente guardadas, as amostras são enviadas para laboratório onde realiza-se exames utilizando a técnica de flutuação com visualização posterior em lupa ou microscópio (CUBILLOS, 2012). 


O diagnóstico da verminose também pode vir após a morte do animal “por meio da identificação de “milk spots” ou manchas de leite presentes no fígado, decorrentes da sua migração larval” (FAUSTO, 2015).


Figura 10 e 11 - Lesões cicatriciais de migração parasitária no fígado e Lesões cicatriciais de migração parasitária na vesícula biliar.

 Fonte: Cubillos, 2012


Pedaços de tecido pulmonar também podem ser fatiados e colocados no aparelho Baermann para localizar larvas migrantes (SANAVRIA, 2020).



5 TRATAMENTO


O nematóide é "sensível as piperazinas, higromicina B, diclorvós, fenbendazole, levamisole e tartarato de pirantel" (SANAVRIA, 2020). No quesito de tratamento, os ovos são o maior problema. De acordo com o site de pecuária a jardinagem Agrolib: “os ovos de Ascaris são difíceis de destruir: podem ser armazenados no solo por até 2,5 a 10 anos. Eles morrem apenas a - 30 ° C e, em seguida, não imediatamente, mas em um dia. Se você tratar ascaris com água quente, apenas metade morrerá”.


O site português Agrolib (2019) sugere o seguinte protocolo:

tratamento com piperazina realiza-se 2 vezes por dia, de manhã e de tarde.[...] alimentado a animais jovens na quantidade de 0,3 g /kg, se o porco pesar não mais do que 50 kg. Se for maior, então 15 g da droga por indivíduo são tomadas. 
O medicamento é preparado imediatamente para um grupo de animais, administrado juntamente com alimentos. No dia em que o tratamento é realizado, a quantidade de alimento é reduzida em 2 vezes ou em um terço. Os alimentos são aromatizados com algo líquido: leite ou soro de leite. E eles dão água em pequenas quantidades. Fenbendazole [...] é realizado duas vezes, é prescrito 10 mg /kg.


Figura 12 - Fenbendazol para porcos

Fonte: Alibaba, 2020




6 PREVENÇÃO


O professor Argemiro Sanavria (2020) ressalta em uma de suas aulas que:

É óbvio que apenas as drogas não têm sucesso no controle desse parasito [...], contudo, o tratamento e limpeza das porcas parideiras com sabão e água quente, duas semanas antes de sua remoção para as gaiolas de parição, irão reduzir materialmente a contaminação a que estarão expostos os leitõezinhos. Um novo tratamento no desmame, com atenção continuada sobre condições higiênicas das instalações, deverá manter os leitõezinhos razoavelmente livres de A. suum. O fornecimento contínuo de rações contendo tartarato de pirantel impede a migração e estabelecimento de A. suum. O tartarato de pirantel é uma droga aprovada que extermina as larvas infectantes imediatamente após eclodirem no intestino delgado. A administração contínua de tiabendazole impede a migração das larvas pelos pulmões, mas não através do fígado. 

Sumarizando, os esforços de controle devem ser direcionados para a prevenção da infecção dos porcos durante as primeiras (poucas) semanas de vida. A medicação anti helmíntica das porcas, antes da parição, a cuidadosa higienização por ocasião da época de parição e a não exposição de jovens leitões aos solos contaminados são medidas que se prestam a limitação da infecção precoce.


Assim como em outras verminoses, a higiene é um dos focos da prevenção, pois “a persistência desse parasito entre os suínos deve-se principalmente a capacidade de resistência dos ovos no meio ambiente, onde pode ocorrer a reinfecção dos animais” (BARBOSA, 2015). A correta higienização do local onde os suínos têm contato somada ao protocolo de vermífugos completam-se para eliminar os ovos e a presença do verme, pois “as infecções podem persistir mesmo após o tratamento, devido à resistência do parasito ou as reinfecções devido aos ovos presentes no ambiente” (BARBOSA, 2015).


O site de pecuária a jardinagem Agrolib sugere um esquema de tratamento para os animais jovens:

Os animais jovens também são vermifugados de acordo com um esquema especial: Primeiro em 35-40 dias; depois 50-60 dias; A última vez é de 80 dias. Se os bebês crescem de dezembro a maio, então apenas 2 vezes: primeiro em 50-55 dias e depois em 90 dias. 

Assim que os animais são desparasitados (não mais de um mês para aguardar), as casas de porcos também são tratadas. Sem isso, a prevenção animal não é eficaz. Os pátios também devem ser mantidos limpos.


A nutrição também é parte que leva-se em consideração nesse caso: “Se os leitões são mal alimentados, com pouca vitaminas B e A na sua dieta, existe uma infecção massiva dos porcos [...], portanto, a prevenção é tanto a alimentação equilibrada quanto a limpeza diária” (AGROLIB, 2019).



7 CONCLUSÃO


A ascaridíase suína é um problema que afeta a saúde de animais e a economia e saúde humana. Mais aprofundado precisa ser o estudo para traçar a diferença definitiva entre Ascaris suum e Ascaris lumbricoides, observando que já existem muitos estudos na área a respeito, mas poucos com conclusões definitivas sobre realmente serem espécies distintas.


No geral, a doença pode ser superada com o tratamento de prevenção mais básico existente nos mais diversos casos de verminoses: higiene. É simples sugerir a higiene junto dos procedimentos de prevenção medicamentosos, mas em comunidades mais carentes os animais ainda são criados de forma mais precária que acaba acarretando em males para a saúde deles e dos humanos que vivem ao redor. Políticas de conscientização para essas comunidades também pode ser visto como um passo preventivo na disseminação do Ascaris.


O produtor rural não deve em momento algum cortar custos relacionados a higiene, boa alimentação e boas práticas de manejo em seus criatórios, visto que o valor investido na prevenção da verminose aparecerá como retorno financeiro na venda de animais melhor desenvolvidos e com todas as partes aproveitáveis para consumo.




REFERÊNCIAS



AGROLIB. Sobre Ascariasis. 2019. Disponível em: https://pt.agrolib.rs/sobre-ascariasis-pigsporcos-1461#h2_1. Acesso em: 08 jun. 2020.


BARBOSA, Fernando Sérgio. Potencial zoonótico da ascaridiose humana e suína: aspectos moleculares, morfológicos e filogenéticos das espécies Ascaris lumbricoides e Ascaris suum. 2015. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUBD-AC7HTR/1/tese_doutorado_fernando_s_rgio_barbosa.pdf. Acesso em: 06 jun. 2020.


CUBILLOS, Reinaldo. Caso clínico: Infestação por Ascaris suum num sistema de cama profunda com palha. 2012. Disponível em: https://www.3tres3.com.pt/artigos/infestac%C3%A3o-por-ascaris-suum-num-sistema-de-cama-profunda-com-pa_6333/. Acesso em: 06 jun. 2020.


FAUSTO, Mariana Costa. Ascaris suum em suínos da Zona da Mata, Estado de Minas Gerais, Brasil. 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1984-29612015000300375&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em: 06 jun. 2020.


LOPES, Camila de Almeida. Imunodiagnóstico da ascaridíase humana: uma nova abordagem sorológica utilizando a tecnologia IgY. 2018. Programa de Pós-Graduação em Imunologia e Parasitologia Aplicadas. Disponível em: https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/22365/3/Imunodiagn%C3%B3sticoAscarid%C3%ADaseHumana.pdf. Acesso em: 08 jun. 2020.


MAESTRO VIRTUALE. Ascaris suum: características, morfologia, ciclo biológico. 2020. Disponível em: https://maestrovirtuale.com/ascaris-suum-caracteristicas-morfologia-ciclo-biologico/. Acesso em: 08 jun. 2020.


SANAVRIA, Argemiro. Helmintoses de suínos. 2020. Disponível em: http://www.adivaldofonseca.vet.br/Helmintoses/Suinos/Parasitas%20de%20su%C3%ADnos.pdf. Acesso em: 06 jun. 2020.


SANTOS, Jéssica Pereira dos. Helmintos intestinais identificados em humanos, caprinos, ovinos e suínos: potencial interface entre o parasitismo humano e animal em área rural no Estado do Piauí. 2015. Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical - FIOCRUZ. Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/25151/2/jessica_santos_ioc_mest_2015.pdf. Acesso em: 08 jun. 2020.


SEROPÉDICA. Classificação e morfologia de nematóides em medicina veterinária. 2016. Disponível em: http://institutos.ufrrj.br/iv/wp-content/uploads/sites/107/2016/07/Apostila_Nematoides.pdf. Acesso em: 08 jun. 2020.





29 de jun. de 2020

Este link ainda não está disponível

Apesar de velho, existem coisas nesse blog que ainda estou construindo.

Possivelmente você chegou nesse link genérico por clicar em alguma coisa que ainda está em construção.

Muito ainda vou construir, assim como muito da parte antiga destruí para sempre.

Em construção

10 de jun. de 2020

Novos antibióticos e suas bactérias estudadas

 Todos os anos, diversos microorganismos fortalecem-se e adquirem resistências a novos medicamentos. O estudo de novas bactérias auxilia no processo de sua eliminação e criação de novas barreiras e armas cada vez mais adaptadas e eficazes. A resistência das bactérias aos mais diversos antibióticos é um desafio constante para os laboratórios e nós, usuários, que muitas vezes ajudamos no fortalecimento das mesmas ingerindo medicamentos da forma incorreta.


Fonte: blog.airfree.pt



A pesquisa a seguir apresentará algumas das bactérias recentemente estudadas nos anos de 2018 e 2019 para o desenvolvimento de novo medicamentos antibióticos.



PSEUDOMONAS AERUGINOSA X ZEBRARXA


Com o nome comercial Zebrarxa, chega no mercado brasileiro o medicamento ceftolozana-tazobactam, que promete combater infecções intra-abdominais e intra-urinárias graves causadas pela bactéria Pseudomonas aeruginosa, que é, de acordo com o site da Revista Veja (2018), “considerada uma das três bactérias mais resistentes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS)”.


Representação de bactérias Pseudomonas aeruginosa

Fonte: pebmed.com.br


O microorganismo fortaleceu-se com o uso indiscriminado do medicamento conhecido como Meropeném em seu tratamento, e agora será necessária a medida de outro antibiótico mais forte para tratar a patologia. Ainda de acordo com a matéria, com o uso do medicamento pode-se observar uma melhoria de “87% de eficácia no tratamento de infecções intra-abdominais quando comparado ao tratamento padrão com meropeném (83%)” e de “infecções do trato urinário... os números foram ainda mais expressivos, com aproveitamento de 75%, se comparados aos do levofloxacino (47%)” (Veja, 2018). 


Vírus bacteriófagos


Colocar um microorganismo contra o outro pode parecer radical, mas é um sinal de uma crescente crise global. Cada vez mais pessoas estão morrendo de infecções que antes eram fáceis de tratar, porque muitas bactérias comuns evoluíram para suportar múltiplos antibióticos. Agora os pesquisadores estão correndo para encontrar novas alternativas aos medicamentos tradicionais, uma busca que está descobrindo formas incomuns de combater infecções, em lugares incomuns.


Ella Balasa, 26, de Richmond, Virgínia, tem uma doença genética chamada fibrose cística que cicatriza seus pulmões e aprisiona bactérias no seu interior, incluindo uma superbactéria chamada Pseudomonas aeruginosa. Uma dose diária de antibióticos inalatórios manteve a infecção sob controle até o outono passado, quando os medicamentos pararam de funcionar. Um antibiótico de última hora também não estava ajudando muito. O site Medical Express (2019) descreve a solução alternativa encontrada pelo pesquisador Benjamin Chan da Universidade de Yale pra o caso de Ella: “inalar deliberadamente um vírus extraído do esgoto para atacar sua superbactéria”.


Fibrose cística

Fonte: http://www.hcfmb.unesp.br/


O biólogo Benjamin Chan dedica-se a viajar pelo mundo coletando microorganismos que atacam bactérias (bacteriófagos) e revela que “recebe ligações de pacientes desesperados que pedem para experimentá-los” (Medical Express, 2019).  Ele explica que cada predador bacteriano na natureza tem como alvo uma variedade bacteriana diferente e por isso, o pesquisador faz suas coletas desde lugares como valas e lagoas até estações de tratamento de esgoto por tipos que atacam uma variedade de infecções humanas. Essa alternativa pode nos dar uma salvação durante algum período de tempo (até as bactérias adaptarem-se novamente).



STAPHYLOCOCCUS AUREUS X TELAVANCINA E CEFTOBIPROLE


De acordo com o site alemão especializado em farmacologia, VFA (2019): “Quase todos os antibióticos que surgiram entre 2001 e 2010 foram desenvolvidos especificamente com o objetivo de superar uma ou mais resistências existentes”  e destaca duas pesquisas do ano de 2018 contra a bactéria fortalecida Staphylococcus aureus: o medicamento Telavancina e o Ceftobiprole.

m __/__/__

Fonte: https://sistemadeensinoequipe.com.br/


Em uma apresentação rápida do site espanhol Pediamécum (2015): a telavancina é um antibiótico derivado semi-sintético da vancomicina e, de acordo com o artigo de revisão do site Arquivos Médicos (2011): “ceftobiprole é uma nova cefalosporina, com ótima ação contra Staphylococcus aureus, incluindo as cepas resistentes à oxacilina (MRSA), além de outros Gram-positivos, Gram-negativos, e também anaeróbios”.



DOS DRUIDAS À ATUALIDADE: STREPTOMYCES MYROPHOREAENTEROCOCCUS FAECIUM, KLESIELLA PNEUMONIAE ACINETOBACTER BAUMANII


Uma descoberta curiosa e recente veio das cantigas antigas da Irlanda do Norte, onde druidas usavam pequenos sacos de terra junto ao corpo para proteger-se de doenças da mesma forma que um antibiótico natural. O site alemão Wissenschaft aktuell (2019) descreve que “pesquisadores britânicos descobriram bactérias em uma amostra de solo que aparentemente liberam antibióticos altamente eficazes” e ainda acrescenta que “as espécies microbianas anteriormente desconhecidas do gênero Streptomyces produzem substâncias que inibem o crescimento de quatro dos seis principais patogênicos de multi-resistentes”, sendo que o número e a estrutura química das substâncias ativas microbianas ainda não foram determinados. 

Refer

Streptomyces sp. myrophorea

Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Streptomyces_sp._myrophorea


O professor Paul Dyson da Universidade de Swansea, juntamente de sua equipe, estão estudando as antigas práticas de cura em medicina natural no sudoeste da Irlanda do Norte, especificamente relatos do poder de cura do solo de uma área no Condado de Fermanagh (área conhecida como Boho). Esta localidade era de atividade druídica há 1.500 anos e foi provavelmente de significado cultural há 4.000 anos. De uma amostra de solo, os pesquisadores conseguiram cultivar oito cepas de estreptomicetos. Uma cepa que inibiu a maior parte do crescimento de outras bactérias foi analisada geneticamente e denominada como a nova espécie Streptomyces myrophorea. Ainda de acordo com a mesma matéria, as bactérias ali coletadas “mostraram-se resistentes contra 28 dos 36 antibióticos clinicamente utilizados” e foi detectado o crescimento de “estirpes multi-resistentes de Enterococcus faeciumStaphylococcus aureus (citada anteriormente), Klebsiella pneumoniae, e Acinetobacter baumanii. Esses germes estão atualmente entre os mais perigosos e particularmente difíceis de tratar os patógenos” (Wissenschaft aktuell, 2019).

Cultura de bactéria Klebsiella pneumoniae

Fonte: https://cmscientifica.com.br/bacteria-klebsiella-pneumoniae-exposta-clorexidina-ganha-resistencia


Apesar de todo o empenho, não há registros de como especificamente os druidas usavam essa aplicação médica e a detecção de antibióticos formando estreptomicetos poderia explicar alguns dos efeitos curativos tradicionais.  A matéria ainda termina com o acrescento de que “existem outras espécies microbianas das mesmas amostras de solo que podem ser importantes na busca por novos agentes antimicrobianos” (Wissenschaft aktuell, 2019).


Representação em 3D de bactérias Enterococcus faecium

Fonte: https://www.hygiene-in-practice.com/pathogen/enterococcus-faecium-en/



 CLOSTRIDIUM DIFFICILE (CDI) X RAMIZOL


O medicamento Ramizol ainda é novidade, está sendo testado em cobaias de laboratório e seus resultados têm sido satisfatórios. Desenvolvido na Universidade de Flinders, Austrália, o antibiótico tem como objetivo combater uma infecção potencialmente mortal no intestino grosso comum em pessoas que precisam tomar antibióticos por um longo período de tempo causada por Clostridium difficile (bactéria que está tornando-se cada vez mais resistente a antibióticos tradicionais).


Clostridium difficile

Fonte: https://www.news-medical.net/health/What-is-Clostridium-difficile-(Portuguese).aspx


O portal ICT (2019) destaca que o estudo constatou que “nos últimos dez anos, várias cepas de C. difficile surgiram e estão associadas a surtos de infecções graves em todo o mundo. Uma cepa específica é facilmente transmitida... e tem sido responsável por grandes surtos em hospitais nos Estados Unidos e na Europa” e acrescenta falando sobre os testes que: “quando doses de um novo antibiótico chamado Ramizol foram dadas a ratos infectados com uma dose letal da bactéria, uma proporção significativa de deles sobreviveu à infecção”.


A pesquisa, que foi realizada em conjunto pela Boulos & Cooper Pharmaceuticals, nos Estados Unidos, com base nos Laboratórios de Segurança de Produtos ToxStrategies e na Universidade Flinders, e foi publicada recentemente na revista Scientific Reports, ainda não está disponível no mercado e nem mesmo foi testada em humanos.



CANDIDA ALBICANS X CIFOMICINA DAS FORMIGAS BRASILEIRAS


Muitos antibióticos em uso hoje vieram de microorganismos que vivem no solo. Atualmente pesquisas revelam que bactérias que vivem em insetos podem ser eficazes no combate a bactérias resistentes. Um grupo de Cientistas da Universidade de Wisconsin-Madison, Estados Unidos, realizaram um estudo sobre atividades de bactérias em insetos e o resultado disso teve destaque na descoberta de um novo antibiótico na formiga Cyphomyrmex (espécie brasileira que cultiva fungos). Os pesquisadores nomearam o composto de cyphomycin (cifomicina). O site Medical News Today (2019) comenta sobre a pesquisa citando que: “testes de laboratório demonstraram que a cifomicina pode combater fungos que derrotaram a maioria dos outros antibióticos. O composto também tratou uma infecção fúngica em ratos sem dar origem a efeitos colaterais tóxicos”. Ou seja, trata-se de uma substância ainda em desenvolvimento e testes que: “eles a purificaram e mostraram que ela poderia tratar a Candida albicans em camundongos”, tal doença “é um fungo que comumente infecta pessoas com um sistema imunológico enfraquecido” (Medical News Today, 2019).


Fonte: https://www.tempo.pt/noticias/ciencia/virus-solo-e-vida-planeta-azul-terra-clima-tempo-espaco.html


A equipe não ficou surpresa ao descobrir que os insetos poderiam ser uma fonte rica de novos antibióticos. A sobrevivência dos insetos depende da co-evolução com micróbios que ajudam a combater patógenos que também estão evoluindo. Os pesquisadores também apontam que, como as bactérias se co-evoluíram com insetos, elas poderiam oferecer duas vantagens: “primeiro, eles são menos propensos a serem tóxicos e, segundo, podem ser eficazes contra patógenos resistentes a medicamentos” (Medical News Today, 2019).


_

BACTÉRIAS DA FAMÍLIA ENTEROBACTERIACAE X COMPOSTOS DE ODILORHABDINS


Pesquisadores da Universidade de Illinois e a empresa de biotecnologia Nosopharm fazem parte de uma equipe internacional para descobrir novos antibióticos. Juntos, descobriram em uma fonte não convencional um composto que pode ser eficaz no tratamento de infecções bacterianas resistentes ou difíceis de tratar. “São chamados odilorhabdins, antibióticos que são produzidos por bactérias simbióticas encontradas em vermes que vivem no solo” (Fin Sciences, 2019).


Para identificar o antibiótico, o grupo de pesquisa investigou 80 culturas de bactérias. Compostos de odilorhabdins foram testados contra patógenos bacterianos, incluindo muitos que são conhecidos por desenvolver resistência e observou-se que: “trouxe a melhora para ratos que tinham sido infectados com um número de bactérias patogênicas e demonstrou atividade contra ambos os agentes patogênicos gram-negativos e gram-positivos, em particular contra Enterobacteriacae resistentes” (Fin Sciences, 2019).


Fonte: http://gazeta-rs.com.br/a-importancia-da-minhoca-para-a-saude-do-solo/


Os pesquisadores ressaltam a importância do estudo afirmando que a pesquisa é uma indicação do crescente desenvolvimento da cooperação internacional e inter-relacionada, que é necessária para combater a ameaça crescente e global da resistência aos antibióticos.


Fonte: https://www.politicadistrital.com.br/2018/05/25/servidora-alerta-para-perigo-da-falta-de-antibioticos-em-unidades-de-saude-do-df/


 A resistência adquirida pelas bactérias causada por uso incorreto de medicamentos ou mesmo pela ação do tempo e adaptação durante gerações causa muitas barreiras no desenvolvimento de tratamentos e curas para suas respectivas doenças. O estudo frequente da biodiversidade bacteriana trará mais chaves para essas cada vez mais complexas fechaduras e alternativas como o uso de microorganismo bacteriófagos confirmam novos caminhos em um mundo onde a resistência e adaptação tornam-se rápidas demais. O desenvolvimento científico de antibióticos novos, eficazes e seguros é crucial para enfrentar a crescente ameaça representada pelas bactérias resistentes a medicamentos em todo o mundo.


Fonte: https://www.tuasaude.com/resistencia-bacteriana/

_

Essas alternativas podem nos dar uma salvação durante algum período de tempo (até as bactérias adaptarem-se novamente), mas como afirma o site finlandês de ciências Yle (2019): “sem mudanças rápidas, estamos a caminho da época em que doenças infecciosas comuns e pequenos ferimentos podem matar de novo como antes da invenção dos antibióticos”. Por isso vale a informação antes da exagerada medicação”.


As bactérias seguem a mesma batalha de sobrevivência que fazemos em outros organismos terrestres. Quando as pessoas inventam um novo medicamento, as bactérias fazem o melhor que podem para vencê-lo e sobreviver.


Fonte: https://guiadafarmacia.com.br/cinco-fatos-sobre-resistencia-bacteriana-aos-antibioticos/






Disponível em:  julianasphynx.blogspot.com  acesso em __/__/__

REFERÊNCIAS


CHEGA ao Brasil novo antibiótico contra superbactérias. Revista Veja, mai. 2018. Disponível em: <https://veja.abril.com.br/saude/chega-ao-brasil-novo-antibiotico-contra-superbacterias/>. Acesso em: 20 de março de 2019.


CZICHOS, Joachim. Antibiotika bildende Bakterien in heilender Erde entdeckt. Wissenschaft aktuell, jan. 2009. Disponível em:<https://www.wissenschaft-aktuell.de/artikel/Antibiotika_bildende_Bakterien_in_heilender_Erde_entdeckt1771015590654.html>. Acesso em: 05 de março de 2019. Em alemão.


FIGHTING Drug-Resistant Bacteria in the Intestines With a New Antibiotic. Infeccion Control Today, jan. 2019. Disponível em: <https://www.infectioncontroltoday.com/antibiotics-antimicrobials/fighting-drug-resistant-bacteria-intestines-new-antibiotic>. Acesso em: 05 de março de 2019. Em inglês.


MIMICA, Marcelo Jenne. Ceftobiprole: uma nova cefalosporina com ação contra Staphylococcus aureus resistentes à oxacilina. Arquivo Médico do Hospital Faculdade de Ciências Médicas Santa Casa São Paulo. 2011. Disponível em: <http://arquivosmedicos.fcmsantacasasp.edu.br/index.php/AMSCSP/article/viewFile/320/335>. Acesso em: 17 de março de 2019.


NEERGAARD, Laura. Using one germ to fight another when today's antibiotics fail. Medical Express, fev. 2009. Disponível em:<https://medicalxpress.com/news/2019-02-germ-today-antibiotics.html>. Acesso em: 05 de março de 2019.Em inglês.


NEUE Antibiotika: Den Vorsprung gegenüber resistenten Bakterien wahren. VFA-Die forschenden Pharma-Unternehmen, jan. 2019. Disponível em: <https://www.vfa.de/de/arzneimittel-forschung/woran-wir-forschen/neue-antibiotika-den-vorsprung-wahren.html>. Acesso em: 19 de março de 2019. Em alemão.


PADDOCK, Catharine. Bacteria living on insects could provide new antibiotics. Medical News Today, fev. 2019. Disponível em:<https://www.medicalnewstoday.com/articles/324507.php>. Acesso em: 05 de marçode 2019. Em inglês.


UUSI antibioottien ryhmä huumeidenkestävyyden torjumiseksi. Fin Sciences, fev.2019. Disponível em: <https://fin.sciences-world.com/new-class-antibiotics-combat-drug-resistance-59595>. Acesso em: 05 de março de 2019. Em finlandês.


WALLIUS, Anniina. Bakteerit selättävät antibiootit yllättävän monilla keinoilla. Yle, fev. 2019. Disponível em: <https://yle.fi/uutiset/3-10656651>. Acesso em: 05 de março de 2019. Em finlandês.





21 de mai. de 2020

Sistema Nervoso Autônomo

Se o blog é pessoal e é meu... Posso postar sobre o que eu quiser!
  SIIIIIIMMM!! 

    Os organismos reagem de diversas maneiras, tendo uma coisa em comum: “todas as células são excitáveis ou irritáveis” (STORER, 2005). Em outras palavras, todas as células sofrem algum tipo de estímulo para responder às suas determinadas funções e esses estímulos são todos coordenados por uma rede maior chamada Sistema Nervoso.

    O Sistema Nervoso é caracterizado pelos sentidos conscientes e inconscientes. Esse imenso sistema cuida de uma grande cadeia de estímulos e respostas, contando com neurônios, nervos, processos químicos e elétricos.  



SISTEMA NERVOSO

    Formado por neurônios, fibras nervosas, receptores, neuroglias, meninges, fluídos, cérebro… Constitui um sistema complexo de recepção e envio de estímulos para administrar todas as regiões do corpo.

    Para facilitar o estudo de sua estruturação, o Sistema Nervoso está separado em: central e periférico. O primeiro é formado pelo encéfalo e pela medula espinhal. O segundo é formado pelos gânglios, nervos e terminações nervosas sensitivas e motoras. 

Figura 1 - Esquema do sistema Periférico e Central no corpo humano
Fonte: Souto (2020)

    O Sistema Nervoso Periférico também possui uma partição chamada Sistema Nervoso Autônomo, que está relacionado com o controle das funções vitais do corpo que não dependem de um comando consciente (por isso o nome Autônomo). O sistema nervoso central e o periférico ligam-se através dos neurônios para desempenharem funções. Já o Sistema Nervoso Autônomo divide-se em Simpático e Parassimpático.

    Os neurônios pré-ganglionares do sistema Nervoso Parassimpático podem ser localizados no tronco encefálico e na medula sacral, sendo divididos em: parte craniana e parte sacral. Já a principal formação anatômica do Simpático é uma  cadeia de gânglios unidos através de ramos chamada Tronco Simpático. Nos humanos, os troncos simpáticos estendem-se de cada lado da base do crânio até o cóccix para unir-se com o lado oposto, assim, tendo gânglios dispostos de cada lado da coluna vertebral em toda a sua extensão (gânglios paravertebrais). Podemos classificar os gânglios de acordo com sua localização, sendo na porção cervical do tronco simpático: cervical superior, cervical médio e cervical inferior. Valendo ressaltar que o gânglio cervical médio é ausente em vários animais domésticos (ANGE; HAERTEL, 2013).

Figura 2 - Órgãos dos sistemas Simpático e Parassimpático no corpo humano.
Fonte: USP (2012)


NEURÔNIOS

    Os neurônios são as unidades básicas para haver comunicação nervosa. Eles são separados de acordo com sua função no organismo.

Figura 3 - Desenho representando as partes de um neurônio.
Fonte: Escola Kids (2020)


Neurônios Sensoriais
    Também são chamados de Aferentes. De acordo com Ana Lúcia Souto, esses neurônios “se ligam aos receptores de estímulos do corpo e transmitem a informação recebida para o córtex cerebral através dos neurônios presentes na medula espinhal”. Seus receptores detectam estímulos internos e externos. A publicação Zoologia Geral (2005) descreve esses neurônios como responsáveis “pelo controle de movimentos somáticos, regulação dos órgãos viscerais internos, manutenção do estado consciente e percepção sensorial”. Esse sistema é responsável pela sensação de tato, dor, olfação, gustação, audição e visão.


Neurônios  Motores
    Os neurônios Motores ou Eferentes levam a informação do córtex cerebral para os músculos e órgãos executores.


Neurônios  Associativos
    Associativos, Conectores ou Interneurônios, o nome diz a função: ligam (associam) os neurônios motores aos sensitivos. Estão localizados no encéfalo e na medula espinal.

Figura 4 - Tipos de neurônios
Fonte: Centro de Mídias (2020) 


SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO (SNA)
 
    Focando mais no sistema Nervoso Autônomo, sua função no geral está em auxiliar o corpo a manter um ambiente interno constante ou balanço fisiológico das funções (homeostase), utilizando ações compensatórias. Um bom exemplo dessas ações são a regulação do tamanho da pupila a diferentes intensidades de luz ou mesmo a constrição dos vasos sanguíneos da pele em resposta ao frio. Esse sistema também propicia ajustes neurovegetativos que dão suporte à execução de comportamentos motivados: comportamento defensivo, alimentar, sexual e, por essa razão, também é conhecido como Sistema Nervoso Vegetativo.

    O professor Luiz Felipe Castro Graeff Vianna (2017) afirma que “O SNA é dividido de acordo com a origem da fibra pré-ganglionar em: toracolombar (Simpático) e craniossacral (Parassimpático)”. As diferenças entre os sistemas simpático e parassimpático podem ser: anatômicas (localização dos neurônios pré-ganglionares e dos gânglios autonômicos e extensão das fibras pré-ganglionares e pós-ganglionares), farmacológicas (fibras colinérgicas e fibras noradrenérgicas) ou fisiológicas (agem antagonicamente e sinergicamente no controle harmônico da atividade visceral) (TRACY et al, 2005).
A figura abaixo resume funções, comunicação do sistema com o Central, origem, anatomia e estruturas:

Figura 5 - Resumo gráfico do Sistema Nervoso Autônomo
Fonte: Nerd Cursos (2020) 


Simpático x Parassimpático
    Como já colocado anteriormente, simpático e parassimpático possuem funções inversas e, não apenas em suas funções, constituem uma série de diferenças entre eles. Robert Lent (2010, p.503) cita algumas dessas diferenças:

    A organização básica dessas duas divisões inclui uma população de neurônios centrais situados no tronco encefálico e na medula, cujos axônios emergem do SNC e constituem nervos que terminam em uma segunda população de neurônios, estes periféricos, situados em gânglios ou distribuídos em plexos nas paredes das vísceras. Os axônios desses últimos inervam as estruturas efetoras já mencionadas. Considerando os gânglios como pontos de referência, chamamos os neurônios centrais (e seus axônios) de pré-ganglionares, e os periféricos de pós-ganglionares

    Lent ainda completa que há diferença estrutural entre as duas divisões: os axônios pré-ganglionares do Simpático são curtos e terminam em gânglios próximos à coluna vertebral, já os do Parassimpático são longos e incorporam-se aos nervos e estendem-se por todo o organismo até os órgãos-alvo (LENT, 2010). Em geral, neurônios pré-ganglionares secretam acetilcolina e os pós-ganglionares secretam noradrenalina na comunicação com os órgãos. 


Funcionamento e exceções
    Dentro de um organismo, “grande maioria dos órgãos e tecidos é inervada tanto pelo simpático como pelo parassimpático e o controle do SNA sobre o órgão ocorre através de ações antagônicas” (NISHIDA, 2007). Existem algumas exceções, como as glândulas salivares que funcionam de maneira sinergética, onde “o parassimpático estimula a produção de uma secreção abundante e bem fluida, apropriada para a mastigação do alimento e o simpático produz uma secreção seca” (NISHIDA, 2007). Outra exceção ocorre nos órgãos que possuem inervação exclusiva, como as glândulas sudoríparas, que são controladas somente pelo Parassimpático. Quanto à parte química, neurônios pós-ganglionares que inervam vasos sanguíneos de músculos esqueléticos e glândulas sudoríparas secretam acetilcolina (vasodilatação), pré-ganglionares que inervam diretamente a medula suprarrenal, a qual secreta adrenalina (em maior quantidade) e noradrenalina na corrente sanguínea e o no Parassimpático existem neurônios pré e pós-ganglionares que secretam acetilcolina.


NEUROTRANSMISSORES

    São estruturas responsáveis pela captação da energia do estímulo e sua conversão em um sinal biológico. Em geral, os neurotransmissores funcionam como mensageiros químicos ou elétricos. De acordo com Cooper e Hausman (2011), neurotransmissores são: “um grupo diverso de moléculas pequenas, hidrofílicas que incluem a acetilcolina, dopamina, epinefrina (adrenalina), serotonina, histamina, glutamato-glicina e ácido gama-aminobutírico (GABA)”.

    Os neurotransmissores, em geral, são armazenados em vesículas sinápticas, liberados no terminal axonal após um potencial de ação e atuam ligando-se a receptores de membrana da célula pós-sináptica. Existem alguns critérios para que uma molécula seja considerada um neurotransmissor. De acordo com Bear, Connors e Paradiso (2017), esses critérios são: “a molécula deve ser sintetizada e estocada no neurônio pré-sináptico [...], deve ser liberada pelo terminal axonal pré-sináptico sob estimulação” E como último critério: “quando aplicada experimentalmente, deve produzir na célula pós-sináptica uma resposta que mimetiza a resposta produzida pela liberação do neurotransmissor do neurônio pré-sináptico” (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2017).

    Os neurotransmissores em nervos simpáticos possuem fibras pós-ganglionares que secretam acetilcolina (neurônios colinérgicos) que se liga ao receptor adrenérgico e as fibras dos neurônios do sistema parassimpático secretam (principalmente) noradrenalina (neurônios adrenérgicos) que se liga ao receptor muscarínico. 

Figura 6 - Neurotransmissores e neurotransmissões
Fonte: Mundo Molecular (2019). 

    Os neurônios pré-ganglionares são todos colinérgicos e as células cromafins da medula da suprarrenal (glândula supra renal) são neurônios pós-ganglionares sem axônios que, ao serem estimulados pelo Autônomo simpático, secreta tanto adrenalina como noradrenalina.

    A velocidade da síntese de noradrenalina e adrenalina depende de a tirosina (precursora de alguns neurotransmissores) ser transportada para o neurônio adrenérgico, onde é hidroxilada a diidrofenilalanina (DOPA) pela tirosina hidroxilase. Um sistema de transporte de aminas carrega a dopamina para ser hidroxilada para formar a noradrenalina pela enzima dopamina-β-hidroxilase. Ao chegar na supra renal, a noradrenalina é transformada em adrenalina (KAHLE; FROTSCHER, 2003). Castelli (2017) afirma que: “neurotransmissores na fenda ligam-se e desligam-se dos seus receptores. Quando livres [...] após se desligarem do receptor [...], eles podem se perder ([...] degradados [...]) ou podem ser recaptados pela célula pré-sináptica. O tipo de receptor vai definir a sinapse ”. 

    De maneira geral, eles podem atuar como mensageiros de sinais inibitórios ou excitatórios para o neurônio pós-sináptico. De acordo com Faria (2018), os neurotransmissores “produzem uma hiperpolarização ou uma despolarização de sua membrana, embora a mesma molécula possa inibir ou excitar. Isso acontece porque há certo número de neurotransmissores, mas uma grande variedade de receptores em diferentes tipos de células”. 

Figura 7 - Esquema de transmissão de sinal no sistema nervoso
 Fonte: Wait, I'm Studying (2017). 


Acetilcolina
    Foi o primeiro neurotransmissor descoberto, “é único [...] utilizado no sistema nervoso somático e um dos muitos neurotransmissores do sistema nervoso autônomo. É também o neurotransmissor de todos os gânglios autonômicos” (FARIA, 2018). Possui função no equilíbrio de determinados processos cognitivos, como a aprendizagem e memória. 

Dopamina
    Encontrada principalmente nos gânglios da base, como núcleo caudado e estriado, no sistema mesolímbico, na região do hipotálamo, hipófise e também na medula espinhal. É produzida em duas áreas do sistema nervoso central: substância negra e área tegumentar ventral. Ela também pode ser produzida fora do sistema nervoso na medula das glândulas adrenais. A dopamina tem papel muito importante no sistema cardiovascular (FARIA, 2018). Controla a motivação e o sistema de recompensa, sono, humor, atenção, aprendizagem, controle do vômito, dor, movimento e amamentação. (FARIA, 2018)16

Noradrenalina
    Principal neurotransmissor do autônomo simpático periférico. Possui ação depressora sobre os neurônios do córtex cerebral e é encontrada no tronco cerebral e hipotálamo. Tendo sua produção no locus coeruleus, quando no sistema nervoso central, ela “nasce” da metabolização da dopamina. Junto da serotonina, dopamina e adrenalina, controla o humor, ansiedade, sono e alimentação. Ela também regula os batimentos cardíacos, pressão arterial, conversão de glicogênio em energia e outros. (FARIA, 2018)

Serotonina
Possui tanto ação excitatória quanto inibitória e pode ser encontrada no mesencéfalo, tálamo, hipotálamo e amígdala cerebral. Atua na regulação do ritmo circadiano, sono e apetite. Muitos são os medicamentos com atuação nas vias serotoninérgicas que tratam ansiedade, depressão, enxaqueca e esquizofrenia. (FARIA, 2018)

Glutamato
Aminoácido livre de maior abundância no Sistema Nervoso Central. É o principal neurotransmissor excitatório e está ligado ao desenvolvimento neural, plasticidade sináptica, aprendizado e memória. Quando produzido em excesso, o glutamato é tóxico para as células nervosas. (FARIA, 2018)

Ácido gama-aminobutírico (GABA)
É encontrado no córtex cerebral, sendo o principal neurotransmissor inibitório do SNC, sendo presente em aproximadamente 20% das sinapses. O GABA é responsável pela sintonia fina, coordenação dos movimentos e regulação do tônus muscular. Medicamentos específicos para aumentar a atuação deste neurotransmissor são capazes de reduzir a ansiedade e produzir relaxamento muscular. (FARIA, 2018)


RECEPTORES SENSORIAIS

    Os receptores constituem um conjunto de estruturas que reconhecem estímulos externos ou de um organismo e, auxiliados por transdutores, os convertem em impulsos nervosos através de terminais localizados nos órgãos dos sentidos. Os receptores sensoriais podem ser: quimiorreceptores (paladar e olfato), mecanorreceptores (vibração, pressão, som, aceleração e gravidade), fotorreceptores (luz) e termorreceptores (temperatura).

Receptores Colinérgicos
    Esses receptores só possuem efeito quando se ligam à acetilcolina. Estão no gânglio e nos órgãos efetores (parte parassimpática) e, sua parte simpática está apenas no gânglio.

Receptores Colinérgicos Nicotínicos
Seu receptor é um canal iônico. Possuem alguns subtipos, como Castelli (2017) explica:
Os que estnos músculos esqueléticos (placa terminal e junão ção neuromuscular) são os nicotínicos musculares (tipo 1) e os que estão no gânglio autônomo receptor nicotínico (sistema nervoso) e na medula adrenal (simpático) são nicotínicos neurais (tipo 2). Esses receptores têm subunidades beta, gama e alfa (que é a parte principal, onde tem o sítio para que o neurotransmissor se ligue) mas o canal só se ativa se duas acetilcolinas se ligarem a ele. Esse canal cria um potencial despolarizante que pode atingir o limiar de excitabilidade, gerando um potencial de ação.
Receptores Colinérgicos Muscarínicos
No parassimpático, estão localizados entre o neurônio pós-ganglionar e os órgãos alvos. É um receptor ligado à proteína G e possui cinco tipos diferentes, sendo os principais M1, M2 e M3.

M1 encontra-se no gânglio autônomo, no tecido gástrico, SNC, hipocampo e células piramidais. É um estimulatório (gera despolarização). Quando a acetilcolina se liga aos receptores M1, desencadeia uma via de sinalização que provoca aumento da concentração de cálcio na célula que estimula uma excitação (no neurônio) ou uma secreção (numa glândula gástrica). (CASTELLI, 2017)

M2 está no coração, pulmão, íleo e no neurônio pré-sináptico (regulando a liberação de acetilcolina). É acoplado à proteína Gi. Quando a acetilcolina se liga aos receptores M2, hiperpolariza a célula (concentração intracelular de AMPc, baixando a concentração de cálcio e subindo a condutância ao potássio) diminuindo a excitabilidade da célula. Também pode estar na célula pré-ganglionar, regulando ou inibindo a acetilcolina. (CASTELLI, 2017)

M3 pode ser encontrado no estômago, no músculo liso visceral, nas glândulas exócrinas, no endotélio vascular e na liberação de insulina. Gera despolarização (estimulatório) e está acoplado à proteína Gq. Sua relação com a acetilcolina é desencadear uma via de sinalização Gq que aumenta a concentração de cálcio no interior da célula que estimula a secreção e no tecido muscular liso estimula a contração.  No vaso sanguíneo (simpático) estimula a produção de óxido nítrico que promove a vasodilatação, além de aumentar a contração da bexiga e o relaxamento do esfíncter, miose, aumento das secreções glandulares, aumento do peristaltismo e promove a ereção. (CASTELLI, 2017)

Receptores Adrenérgicos
São proteínas que se ligam à epinefrina e/ou norepinefrina e desencadeiam mudanças intracelulares. Possuem duas principais classes: α (alfa) e a β (beta), diferenciadas pela afinidade dos neurotransmissores pelos receptores em um determinado órgão. 

Receptores Adrenérgicos α
Seus efeitos mais comuns são: vasoconstrição das veias e artérias coronárias e diminuição da motilidade do trato gastrointestinal (músculo liso). Dividem-se em α1 e α2. O primeiro está associado à proteína G, libera cálcio retido para o citoplasma e participa da contração do músculo liso, provocando vasoconstrição em muitos vasos sanguíneos. Possui efeitos no músculo eretor de pelo, útero, uretra, canal deferente, vasos sanguíneos, bronquíolos, reserva de glicogênio do fígado, secreção de glândulas sudoríparas, reabsorção de Na+ nos rins e a glicogenólise e a gliconeogênese a partir do tecido adiposo. Já os receptores α2 estão ligados a uma proteína Gi, e atuam na liberação de glucagon do pâncreas, contração dos esfíncteres no trato gastrointestinal, feedback negativo nas sinapses neuronais e inibição da insulina no pâncreas. (ELLIOT, J., 1997)

Receptores Adrenérgicos β
    Está dividido em β1, β2 e β3. Os efeitos mais comuns do primeiro são: aumento do débito cardíaco, lipólise no tecido adiposo e liberação de renina nas células justa glomerulares. O segundo é encontrado nos músculos lisos ligados ao relaxamento visceral, seus efeitos comuns são: lipólise do tecido adiposo, relaxamento dos esfíncteres, relaxamento da parede da bexiga, aumento da secreção de renina dos rins, dilatação das artérias do músculo esquelético, aumento da secreção salivar, relaxamento da musculatura lisa, inibição da liberação de histamina, glicogenólise e gliconeogênese. (FITZPATRICK; PURVES; AUGUSTINE; LAMANTIA; HALL; WHITE, 2004).

    A terceira separação (β3) é mais comum em efeitos metabólicos. Localizado principalmente em tecido adiposo, mas também na vesícula biliar, regula a lipólise em tecidos adiposos e contribui na termogênese em musculatura esquelética. Alguns estudos apontam que β3 causa relaxamento da bexiga e prevenção da micção. (RITTER; FLOWER; HENDERSON; LOKE; MACEWAN; RANG, 2019) .


TRANSMISSÃO SINÁPTICA 
    É a transmissão de impulsos (sinapses) entre uma célula nervosa e outra, garantindo sua comunicação, podendo ser tanto química como elétrica. A comunicação elétrica dá-se por uma junção comunicante (canal iônico), já a química é pela fenda sináptica. Algumas sinapses são tanto químicas quanto elétricas. Nessas sinapses, a resposta elétrica ocorre antes da resposta química.

    Podem ser: Simétricas ou Assimétricas. De acordo com o professor Édisom de Souza Moreira (2017): “As sinapses simétricas são, em geral, inibitórias” e “sinapses assimétricas são, em geral, excitatórias”. De acordo com a obra Princípios de Neurociências: “Com algumas exceções, a sinapse consiste em três componentes: o terminal do axônio pré-sináptico, o alvo na célula pós-sináptica e a zona de aposição entre as células".

    A comunicação ocorre quando os impulsos partem do axônio de um neurônio de um e são recebidos pelo dendrito de outro. Ligações mais incomuns também ocorrem, como entre dois axônios, dois dendritos, axônio para o corpo celular ou uma célula muscular. (TRISTÃO, 2019)


Potencial de Ação
Sobre os impulsos nervosos, Tristão (2019) explica que:
Os tais impulsos nervosos que realizam a comunicação dos neurônios com o resto do corpo, bem como com o meio externo, são sinais elétricos. Esses estímulos são íons transmitidos por meio de mudanças de carga elétrica e passam por toda a célula nervosa. Sendo assim, este fenômeno é chamado de potencial de ação. 

    O potencial de ação ocorre na comunicação entre os neurônios nos botões pré-sinápticos presentes nas extremidades de seus axônios logo ao lado da fenda sináptica. A membrana dos axônios gera o sinal que cai na fenda e é chamada de pré-sináptica, e a que recebe o estímulo, de pós-sináptica. Nesses botões existem os neurotransmissores que levam íons de uma célula para a outra, alterando a permeabilidade do neurônio pós-sináptico. Os neurotransmissores (mediadores químicos) são liberados na fenda após a chegada do sinal e chegam nas células alvo ligando-se às suas membranas, fazendo com que haja potencial de ação, tendo função excitatória (levar impulsos) ou inibitória. (TRISTÃO, 2019)


Transmissão Química
    Nas sinapses químicas são liberados neurotransmissores (mensageiro químico) através de um potencial de ação na fenda sináptica da célula seguinte. Esses neurotransmissores se ligam às proteínas receptoras na célula pós-sináptica, causando a ativação de receptores pós-sinápticos que leva à abertura ou fechamento de canais iônicos na membrana celular, tornando a célula positiva ou negativa. Depois os neurotransmissores são eliminados da fenda sináptica, liberando a célula para fazer novos impulsos. Cada neurônio pode ter várias ramificações, assim permitindo a ele fazer várias comunicações (receber e enviar sinais) com células ao mesmo tempo. (KANDEL; SCHWARTZ; JESSELL, 1995)


Figura 8 - Representação da sinapse química, mostrando a liberação de neurotransmissores que promovem a abertura de canais para Na + (despolarizando a célula pós-sináptica)

Fonte: Researchgate (2020). 


Transmissão Elétrica
    Na transmissão elétrica não se produz neurotransmissores para a mensagem de uma célula chegar à outra. Isso ocorre através de uma junção. Ela se difere da química também pelo espaço entre os elementos pré e pós-sinápticos ser muito menor. (CONTESSI, 2020)

Figura 9 - Comparativo entre sinapse química e elétrica
 Fonte: Contessi e Silva (2020) 

    Existe uma conexão física em todas as sinapses elétricas entre os neurônios pré e pós-sinápticos. Nessa conexão existe um canal ligante para que as informações passem de uma célula para a outra. Por esse tipo de transmissão, as sinapses elétricas acabam sendo mais rápidas que as químicas, mas, diferente das químicas, as elétricas não podem transformar um sinal excitatório de um neurônio em um sinal inibitório em outro. (LOEWI, 1936)



REFERÊNCIAS


STORER, Tracy et al. Zoologia Geral. 6. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2005. 816 p.

SOUTO, Ana Lucia. Estrutura do sistema nervoso: bncc ciências: ef06ci07. BNCC Ciências: EF06CI07. 2020. Disponível em: https://pt.khanacademy.org/science/6-ano/vida-e-evoluo-os-sistemas-do-corpo-humano/sistema-nervoso/a/estrutura-do-sistema-nervoso. Acesso em: 27 mar. 2020.

MACHADO, Angelo; HAERTEL, Lucia Machado. Neuroanatomia Funcional. 3. ed. Sem Local: Atheneu, 2013. 344 p. 

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. São Paulo. Fisiologia: Sistema Nervoso. 2012. Disponível em: https://midia.atp.usp.br/impressos/redefor/EnsinoBiologia/Fisio_2011_2012/Fisiologia_v2_semana02.pdf. Acesso em: 27 mar. 2020.

SANTOS, Maria Vanessa dos. Neurônios: já ouviu falar em neurônios? Leia este texto e amplie seus conhecimentos sobre o assunto!. 2020. Disponível em: https://escolakids.uol.com.br/ciencias/neuronios.htm. Acesso em: 30 mar. 2020.

PALMEIRA, Giselle; MACIEL, Márcia. Sistema Nervoso. Disponível em: https://centrodemidias.am.gov.br/storage/dmdocuments/18F8CIE009P1.pdf. Acesso em: 30 mar. 2020.

VIANNA, Luiz Felipe Castro Graeff. Introdução a Neurologia Veterinária. Disciplina de Clínica Médica II. UFRRJ. Disponível em: https://drive.google.com/drive/u/3/folders/1DOgvh4NBsinCBn9O1Rx8Vq6oSprAFfGn. Acesso em: 27 mar. 2020.

MAPA: fisiologia do sistema autônomo. 2020. Disponível em: https://www.nerdcursos.com.br/mapa-fisiologia-sistema-nervoso-aut. Acesso em: 30 mar. 2020.

LENT, Robert. Cem bilhões de neurônios? Conceitos fundamentais de neurociência. 2. ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2010. 748 p.

NISHIDA, Silvia M.. Sistema Nervoso Autônomo. 2007. Curso de Fisiologia 2007 Ciclo de Neurofisiologia. Disponível em: http://www.gruponitro.com.br/atendimento-a-profissionais/%23/pdfs/artigos/multidisciplinares/12_sistema_nervoso_autonomo.pdf. Acesso em: 30 mar. 2020.

COOPER, Geoffrey M.; HAUSMAN, Robert E.. La Célula. 5. ed. Madrid: Marbán, 2011. 818 p. Em espanhol.

BEAR, Mark F.; CONNORS, Barry W.; PARADISO, Michael A.. Neurociências: desvendando o sistema nervoso. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. 974 p.

TOHMÉ, Victor. Neurotransmissores e receptores colinérgicos. 2019. Disponível em: https://medium.com/mundo-molecular/neurotransmissores-e-receptores-colin%C3%A9rgicos-98cd3cde280c. Acesso em: 08 abr. 2020.

KAHLE, Wemer; FROTSCHER, Michael. Nervous System and Sensory Organs. 5. ed. Germany: Thieme, 2003. 406 p. (Atlas of Human Anatomy. Vol 3).

CASTELLI, Carolina. Sistema Nervoso Somático e Autônomo. 2017. Disponível em: https://waitimstudying.wordpress.com/2017/05/30/sistema-nervoso-somatico-e-autonomo/. Acesso em: 09 abr. 2020.

FARIA, Leonardo. Neurotransmissores: principais tipos e funções biológicas desempenhadas. 2018. Disponível em: https://meucerebro.com/neurotransmissores-principais-tipos-e-funcoes-biologicas-desempenhadas/. Acesso em: 09 abr. 2020.

ELLIOT, J.. Alpha-adrenoceptors in equine digital veins: evidence for the presence of both alpha1 and alpha2-receptors mediating vasoconstriction. 1997. Em inglês. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9280371. Acesso em: 09 abr. 2020.

FITZPATRICK, David; PURVES, Dale; AUGUSTINE, George; LAMANTIA, Anthony-samuel; HALL, William C.; WHITE, Leonard E.. Neuroscience. 3. ed. Oxford: Oxford University Press, 2004. 759 p. Em inglês.

RITTER, James M.; FLOWER, Rod J.; HENDERSON, Graeme; LOKE, Yoon Kong; MACEWAN, David; RANG, Humphrey P.. Pharmacology. 9. ed. Rang & Dale's Pharmacology, 2019. 808 p. Em inglês.

MOREIRA, Édisom de Souza. Os neurônios, as sinapses, o impulso nervoso e os mecanismos morfofuncionais de transmissão dos sinais neurais no Sistema Nervoso. 2017. Coleção Monografias Neuroanatômicas Morfofuncionais. Disponível em: http://editora.unifoa.edu.br/wp-content/uploads/2017/04/Volume-02.pdf. Acesso em: 27 mar. 2020.

KANDEL, Eric; SCHUWARTZ, James; JESSEL, Thomas; SIEGELBAUM, Steven; HUDSPETH, A. J.. Princípios de Neurociências. 5. ed. Porto Alegre: Mc Graw Hill Education, 2014. 1531 p.

TRISTÃO, Isadora. Sinapse - O que é, tipos, como e por que acontece? 2019. Disponível em: https://conhecimentocientifico.r7.com/sinapse/. Acesso em: 10 abr. 2020.

KANDEL, Eric; SCHWARTZ, James; JESSELL, Thomas. Essentials of Neural Science and Behavior. Mcgraw-hill Education, 1995. 540 p. Em inglês.

DRECHSLER-SANTOS, E. R.. Representação da sinapse química, mostrando a liberação de neurotransmissores. Disponível em: https://www.researchgate.net/figure/Figura-3-Representacao-da-sinapse-quimica-mostrando-a-liberacao-de-neurotransmissores_fig3_320719294. Acesso em: 03 abr. 2020.

CONTESSI, Roberto; SILVA, Emilio da. Diferencias entre sinapsis eléctrica y sinapsis química: Sinapsis Elèctrica g18c. 2020. Em espanhol. Disponível em: https://sites.google.com/site/sinapsiselectricag18c/diferencias-entre-sinapsis-electrica-y-sinapsis-quimica. Acesso em: 10 abr. 2020.

LOEWI, Otto. Nobel Lecture: the chemical transmission of nerve action. The Chemical Transmission of Nerve Action. 1936. Em inglês. Disponível em: https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/1936/loewi/lecture/. Acesso em: 10 abr. 2020. 




17 de mai. de 2020

O que é ser eu?



Conclusão: pessoas curtem o sofrimento alheio

Os comentários foram desativados:

tenho de 70 a 100 visitantes por dia e quase nenhum comentário nas postagens, apenas no meu e-mail. 

Acabei achando a sessão inútil de manter. Contato: JulianaOdeiaCafe@gmail.com