21 de mai. de 2020

Sistema Nervoso Autônomo

Se o blog é pessoal e é meu... Posso postar sobre o que eu quiser!
  SIIIIIIMMM!! 

    Os organismos reagem de diversas maneiras, tendo uma coisa em comum: “todas as células são excitáveis ou irritáveis” (STORER, 2005). Em outras palavras, todas as células sofrem algum tipo de estímulo para responder às suas determinadas funções e esses estímulos são todos coordenados por uma rede maior chamada Sistema Nervoso.

    O Sistema Nervoso é caracterizado pelos sentidos conscientes e inconscientes. Esse imenso sistema cuida de uma grande cadeia de estímulos e respostas, contando com neurônios, nervos, processos químicos e elétricos.  



SISTEMA NERVOSO

    Formado por neurônios, fibras nervosas, receptores, neuroglias, meninges, fluídos, cérebro… Constitui um sistema complexo de recepção e envio de estímulos para administrar todas as regiões do corpo.

    Para facilitar o estudo de sua estruturação, o Sistema Nervoso está separado em: central e periférico. O primeiro é formado pelo encéfalo e pela medula espinhal. O segundo é formado pelos gânglios, nervos e terminações nervosas sensitivas e motoras. 

Figura 1 - Esquema do sistema Periférico e Central no corpo humano
Fonte: Souto (2020)

    O Sistema Nervoso Periférico também possui uma partição chamada Sistema Nervoso Autônomo, que está relacionado com o controle das funções vitais do corpo que não dependem de um comando consciente (por isso o nome Autônomo). O sistema nervoso central e o periférico ligam-se através dos neurônios para desempenharem funções. Já o Sistema Nervoso Autônomo divide-se em Simpático e Parassimpático.

    Os neurônios pré-ganglionares do sistema Nervoso Parassimpático podem ser localizados no tronco encefálico e na medula sacral, sendo divididos em: parte craniana e parte sacral. Já a principal formação anatômica do Simpático é uma  cadeia de gânglios unidos através de ramos chamada Tronco Simpático. Nos humanos, os troncos simpáticos estendem-se de cada lado da base do crânio até o cóccix para unir-se com o lado oposto, assim, tendo gânglios dispostos de cada lado da coluna vertebral em toda a sua extensão (gânglios paravertebrais). Podemos classificar os gânglios de acordo com sua localização, sendo na porção cervical do tronco simpático: cervical superior, cervical médio e cervical inferior. Valendo ressaltar que o gânglio cervical médio é ausente em vários animais domésticos (ANGE; HAERTEL, 2013).

Figura 2 - Órgãos dos sistemas Simpático e Parassimpático no corpo humano.
Fonte: USP (2012)


NEURÔNIOS

    Os neurônios são as unidades básicas para haver comunicação nervosa. Eles são separados de acordo com sua função no organismo.

Figura 3 - Desenho representando as partes de um neurônio.
Fonte: Escola Kids (2020)


Neurônios Sensoriais
    Também são chamados de Aferentes. De acordo com Ana Lúcia Souto, esses neurônios “se ligam aos receptores de estímulos do corpo e transmitem a informação recebida para o córtex cerebral através dos neurônios presentes na medula espinhal”. Seus receptores detectam estímulos internos e externos. A publicação Zoologia Geral (2005) descreve esses neurônios como responsáveis “pelo controle de movimentos somáticos, regulação dos órgãos viscerais internos, manutenção do estado consciente e percepção sensorial”. Esse sistema é responsável pela sensação de tato, dor, olfação, gustação, audição e visão.


Neurônios  Motores
    Os neurônios Motores ou Eferentes levam a informação do córtex cerebral para os músculos e órgãos executores.


Neurônios  Associativos
    Associativos, Conectores ou Interneurônios, o nome diz a função: ligam (associam) os neurônios motores aos sensitivos. Estão localizados no encéfalo e na medula espinal.

Figura 4 - Tipos de neurônios
Fonte: Centro de Mídias (2020) 


SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO (SNA)
 
    Focando mais no sistema Nervoso Autônomo, sua função no geral está em auxiliar o corpo a manter um ambiente interno constante ou balanço fisiológico das funções (homeostase), utilizando ações compensatórias. Um bom exemplo dessas ações são a regulação do tamanho da pupila a diferentes intensidades de luz ou mesmo a constrição dos vasos sanguíneos da pele em resposta ao frio. Esse sistema também propicia ajustes neurovegetativos que dão suporte à execução de comportamentos motivados: comportamento defensivo, alimentar, sexual e, por essa razão, também é conhecido como Sistema Nervoso Vegetativo.

    O professor Luiz Felipe Castro Graeff Vianna (2017) afirma que “O SNA é dividido de acordo com a origem da fibra pré-ganglionar em: toracolombar (Simpático) e craniossacral (Parassimpático)”. As diferenças entre os sistemas simpático e parassimpático podem ser: anatômicas (localização dos neurônios pré-ganglionares e dos gânglios autonômicos e extensão das fibras pré-ganglionares e pós-ganglionares), farmacológicas (fibras colinérgicas e fibras noradrenérgicas) ou fisiológicas (agem antagonicamente e sinergicamente no controle harmônico da atividade visceral) (TRACY et al, 2005).
A figura abaixo resume funções, comunicação do sistema com o Central, origem, anatomia e estruturas:

Figura 5 - Resumo gráfico do Sistema Nervoso Autônomo
Fonte: Nerd Cursos (2020) 


Simpático x Parassimpático
    Como já colocado anteriormente, simpático e parassimpático possuem funções inversas e, não apenas em suas funções, constituem uma série de diferenças entre eles. Robert Lent (2010, p.503) cita algumas dessas diferenças:

    A organização básica dessas duas divisões inclui uma população de neurônios centrais situados no tronco encefálico e na medula, cujos axônios emergem do SNC e constituem nervos que terminam em uma segunda população de neurônios, estes periféricos, situados em gânglios ou distribuídos em plexos nas paredes das vísceras. Os axônios desses últimos inervam as estruturas efetoras já mencionadas. Considerando os gânglios como pontos de referência, chamamos os neurônios centrais (e seus axônios) de pré-ganglionares, e os periféricos de pós-ganglionares

    Lent ainda completa que há diferença estrutural entre as duas divisões: os axônios pré-ganglionares do Simpático são curtos e terminam em gânglios próximos à coluna vertebral, já os do Parassimpático são longos e incorporam-se aos nervos e estendem-se por todo o organismo até os órgãos-alvo (LENT, 2010). Em geral, neurônios pré-ganglionares secretam acetilcolina e os pós-ganglionares secretam noradrenalina na comunicação com os órgãos. 


Funcionamento e exceções
    Dentro de um organismo, “grande maioria dos órgãos e tecidos é inervada tanto pelo simpático como pelo parassimpático e o controle do SNA sobre o órgão ocorre através de ações antagônicas” (NISHIDA, 2007). Existem algumas exceções, como as glândulas salivares que funcionam de maneira sinergética, onde “o parassimpático estimula a produção de uma secreção abundante e bem fluida, apropriada para a mastigação do alimento e o simpático produz uma secreção seca” (NISHIDA, 2007). Outra exceção ocorre nos órgãos que possuem inervação exclusiva, como as glândulas sudoríparas, que são controladas somente pelo Parassimpático. Quanto à parte química, neurônios pós-ganglionares que inervam vasos sanguíneos de músculos esqueléticos e glândulas sudoríparas secretam acetilcolina (vasodilatação), pré-ganglionares que inervam diretamente a medula suprarrenal, a qual secreta adrenalina (em maior quantidade) e noradrenalina na corrente sanguínea e o no Parassimpático existem neurônios pré e pós-ganglionares que secretam acetilcolina.


NEUROTRANSMISSORES

    São estruturas responsáveis pela captação da energia do estímulo e sua conversão em um sinal biológico. Em geral, os neurotransmissores funcionam como mensageiros químicos ou elétricos. De acordo com Cooper e Hausman (2011), neurotransmissores são: “um grupo diverso de moléculas pequenas, hidrofílicas que incluem a acetilcolina, dopamina, epinefrina (adrenalina), serotonina, histamina, glutamato-glicina e ácido gama-aminobutírico (GABA)”.

    Os neurotransmissores, em geral, são armazenados em vesículas sinápticas, liberados no terminal axonal após um potencial de ação e atuam ligando-se a receptores de membrana da célula pós-sináptica. Existem alguns critérios para que uma molécula seja considerada um neurotransmissor. De acordo com Bear, Connors e Paradiso (2017), esses critérios são: “a molécula deve ser sintetizada e estocada no neurônio pré-sináptico [...], deve ser liberada pelo terminal axonal pré-sináptico sob estimulação” E como último critério: “quando aplicada experimentalmente, deve produzir na célula pós-sináptica uma resposta que mimetiza a resposta produzida pela liberação do neurotransmissor do neurônio pré-sináptico” (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2017).

    Os neurotransmissores em nervos simpáticos possuem fibras pós-ganglionares que secretam acetilcolina (neurônios colinérgicos) que se liga ao receptor adrenérgico e as fibras dos neurônios do sistema parassimpático secretam (principalmente) noradrenalina (neurônios adrenérgicos) que se liga ao receptor muscarínico. 

Figura 6 - Neurotransmissores e neurotransmissões
Fonte: Mundo Molecular (2019). 

    Os neurônios pré-ganglionares são todos colinérgicos e as células cromafins da medula da suprarrenal (glândula supra renal) são neurônios pós-ganglionares sem axônios que, ao serem estimulados pelo Autônomo simpático, secreta tanto adrenalina como noradrenalina.

    A velocidade da síntese de noradrenalina e adrenalina depende de a tirosina (precursora de alguns neurotransmissores) ser transportada para o neurônio adrenérgico, onde é hidroxilada a diidrofenilalanina (DOPA) pela tirosina hidroxilase. Um sistema de transporte de aminas carrega a dopamina para ser hidroxilada para formar a noradrenalina pela enzima dopamina-β-hidroxilase. Ao chegar na supra renal, a noradrenalina é transformada em adrenalina (KAHLE; FROTSCHER, 2003). Castelli (2017) afirma que: “neurotransmissores na fenda ligam-se e desligam-se dos seus receptores. Quando livres [...] após se desligarem do receptor [...], eles podem se perder ([...] degradados [...]) ou podem ser recaptados pela célula pré-sináptica. O tipo de receptor vai definir a sinapse ”. 

    De maneira geral, eles podem atuar como mensageiros de sinais inibitórios ou excitatórios para o neurônio pós-sináptico. De acordo com Faria (2018), os neurotransmissores “produzem uma hiperpolarização ou uma despolarização de sua membrana, embora a mesma molécula possa inibir ou excitar. Isso acontece porque há certo número de neurotransmissores, mas uma grande variedade de receptores em diferentes tipos de células”. 

Figura 7 - Esquema de transmissão de sinal no sistema nervoso
 Fonte: Wait, I'm Studying (2017). 


Acetilcolina
    Foi o primeiro neurotransmissor descoberto, “é único [...] utilizado no sistema nervoso somático e um dos muitos neurotransmissores do sistema nervoso autônomo. É também o neurotransmissor de todos os gânglios autonômicos” (FARIA, 2018). Possui função no equilíbrio de determinados processos cognitivos, como a aprendizagem e memória. 

Dopamina
    Encontrada principalmente nos gânglios da base, como núcleo caudado e estriado, no sistema mesolímbico, na região do hipotálamo, hipófise e também na medula espinhal. É produzida em duas áreas do sistema nervoso central: substância negra e área tegumentar ventral. Ela também pode ser produzida fora do sistema nervoso na medula das glândulas adrenais. A dopamina tem papel muito importante no sistema cardiovascular (FARIA, 2018). Controla a motivação e o sistema de recompensa, sono, humor, atenção, aprendizagem, controle do vômito, dor, movimento e amamentação. (FARIA, 2018)16

Noradrenalina
    Principal neurotransmissor do autônomo simpático periférico. Possui ação depressora sobre os neurônios do córtex cerebral e é encontrada no tronco cerebral e hipotálamo. Tendo sua produção no locus coeruleus, quando no sistema nervoso central, ela “nasce” da metabolização da dopamina. Junto da serotonina, dopamina e adrenalina, controla o humor, ansiedade, sono e alimentação. Ela também regula os batimentos cardíacos, pressão arterial, conversão de glicogênio em energia e outros. (FARIA, 2018)

Serotonina
Possui tanto ação excitatória quanto inibitória e pode ser encontrada no mesencéfalo, tálamo, hipotálamo e amígdala cerebral. Atua na regulação do ritmo circadiano, sono e apetite. Muitos são os medicamentos com atuação nas vias serotoninérgicas que tratam ansiedade, depressão, enxaqueca e esquizofrenia. (FARIA, 2018)

Glutamato
Aminoácido livre de maior abundância no Sistema Nervoso Central. É o principal neurotransmissor excitatório e está ligado ao desenvolvimento neural, plasticidade sináptica, aprendizado e memória. Quando produzido em excesso, o glutamato é tóxico para as células nervosas. (FARIA, 2018)

Ácido gama-aminobutírico (GABA)
É encontrado no córtex cerebral, sendo o principal neurotransmissor inibitório do SNC, sendo presente em aproximadamente 20% das sinapses. O GABA é responsável pela sintonia fina, coordenação dos movimentos e regulação do tônus muscular. Medicamentos específicos para aumentar a atuação deste neurotransmissor são capazes de reduzir a ansiedade e produzir relaxamento muscular. (FARIA, 2018)


RECEPTORES SENSORIAIS

    Os receptores constituem um conjunto de estruturas que reconhecem estímulos externos ou de um organismo e, auxiliados por transdutores, os convertem em impulsos nervosos através de terminais localizados nos órgãos dos sentidos. Os receptores sensoriais podem ser: quimiorreceptores (paladar e olfato), mecanorreceptores (vibração, pressão, som, aceleração e gravidade), fotorreceptores (luz) e termorreceptores (temperatura).

Receptores Colinérgicos
    Esses receptores só possuem efeito quando se ligam à acetilcolina. Estão no gânglio e nos órgãos efetores (parte parassimpática) e, sua parte simpática está apenas no gânglio.

Receptores Colinérgicos Nicotínicos
Seu receptor é um canal iônico. Possuem alguns subtipos, como Castelli (2017) explica:
Os que estnos músculos esqueléticos (placa terminal e junão ção neuromuscular) são os nicotínicos musculares (tipo 1) e os que estão no gânglio autônomo receptor nicotínico (sistema nervoso) e na medula adrenal (simpático) são nicotínicos neurais (tipo 2). Esses receptores têm subunidades beta, gama e alfa (que é a parte principal, onde tem o sítio para que o neurotransmissor se ligue) mas o canal só se ativa se duas acetilcolinas se ligarem a ele. Esse canal cria um potencial despolarizante que pode atingir o limiar de excitabilidade, gerando um potencial de ação.
Receptores Colinérgicos Muscarínicos
No parassimpático, estão localizados entre o neurônio pós-ganglionar e os órgãos alvos. É um receptor ligado à proteína G e possui cinco tipos diferentes, sendo os principais M1, M2 e M3.

M1 encontra-se no gânglio autônomo, no tecido gástrico, SNC, hipocampo e células piramidais. É um estimulatório (gera despolarização). Quando a acetilcolina se liga aos receptores M1, desencadeia uma via de sinalização que provoca aumento da concentração de cálcio na célula que estimula uma excitação (no neurônio) ou uma secreção (numa glândula gástrica). (CASTELLI, 2017)

M2 está no coração, pulmão, íleo e no neurônio pré-sináptico (regulando a liberação de acetilcolina). É acoplado à proteína Gi. Quando a acetilcolina se liga aos receptores M2, hiperpolariza a célula (concentração intracelular de AMPc, baixando a concentração de cálcio e subindo a condutância ao potássio) diminuindo a excitabilidade da célula. Também pode estar na célula pré-ganglionar, regulando ou inibindo a acetilcolina. (CASTELLI, 2017)

M3 pode ser encontrado no estômago, no músculo liso visceral, nas glândulas exócrinas, no endotélio vascular e na liberação de insulina. Gera despolarização (estimulatório) e está acoplado à proteína Gq. Sua relação com a acetilcolina é desencadear uma via de sinalização Gq que aumenta a concentração de cálcio no interior da célula que estimula a secreção e no tecido muscular liso estimula a contração.  No vaso sanguíneo (simpático) estimula a produção de óxido nítrico que promove a vasodilatação, além de aumentar a contração da bexiga e o relaxamento do esfíncter, miose, aumento das secreções glandulares, aumento do peristaltismo e promove a ereção. (CASTELLI, 2017)

Receptores Adrenérgicos
São proteínas que se ligam à epinefrina e/ou norepinefrina e desencadeiam mudanças intracelulares. Possuem duas principais classes: α (alfa) e a β (beta), diferenciadas pela afinidade dos neurotransmissores pelos receptores em um determinado órgão. 

Receptores Adrenérgicos α
Seus efeitos mais comuns são: vasoconstrição das veias e artérias coronárias e diminuição da motilidade do trato gastrointestinal (músculo liso). Dividem-se em α1 e α2. O primeiro está associado à proteína G, libera cálcio retido para o citoplasma e participa da contração do músculo liso, provocando vasoconstrição em muitos vasos sanguíneos. Possui efeitos no músculo eretor de pelo, útero, uretra, canal deferente, vasos sanguíneos, bronquíolos, reserva de glicogênio do fígado, secreção de glândulas sudoríparas, reabsorção de Na+ nos rins e a glicogenólise e a gliconeogênese a partir do tecido adiposo. Já os receptores α2 estão ligados a uma proteína Gi, e atuam na liberação de glucagon do pâncreas, contração dos esfíncteres no trato gastrointestinal, feedback negativo nas sinapses neuronais e inibição da insulina no pâncreas. (ELLIOT, J., 1997)

Receptores Adrenérgicos β
    Está dividido em β1, β2 e β3. Os efeitos mais comuns do primeiro são: aumento do débito cardíaco, lipólise no tecido adiposo e liberação de renina nas células justa glomerulares. O segundo é encontrado nos músculos lisos ligados ao relaxamento visceral, seus efeitos comuns são: lipólise do tecido adiposo, relaxamento dos esfíncteres, relaxamento da parede da bexiga, aumento da secreção de renina dos rins, dilatação das artérias do músculo esquelético, aumento da secreção salivar, relaxamento da musculatura lisa, inibição da liberação de histamina, glicogenólise e gliconeogênese. (FITZPATRICK; PURVES; AUGUSTINE; LAMANTIA; HALL; WHITE, 2004).

    A terceira separação (β3) é mais comum em efeitos metabólicos. Localizado principalmente em tecido adiposo, mas também na vesícula biliar, regula a lipólise em tecidos adiposos e contribui na termogênese em musculatura esquelética. Alguns estudos apontam que β3 causa relaxamento da bexiga e prevenção da micção. (RITTER; FLOWER; HENDERSON; LOKE; MACEWAN; RANG, 2019) .


TRANSMISSÃO SINÁPTICA 
    É a transmissão de impulsos (sinapses) entre uma célula nervosa e outra, garantindo sua comunicação, podendo ser tanto química como elétrica. A comunicação elétrica dá-se por uma junção comunicante (canal iônico), já a química é pela fenda sináptica. Algumas sinapses são tanto químicas quanto elétricas. Nessas sinapses, a resposta elétrica ocorre antes da resposta química.

    Podem ser: Simétricas ou Assimétricas. De acordo com o professor Édisom de Souza Moreira (2017): “As sinapses simétricas são, em geral, inibitórias” e “sinapses assimétricas são, em geral, excitatórias”. De acordo com a obra Princípios de Neurociências: “Com algumas exceções, a sinapse consiste em três componentes: o terminal do axônio pré-sináptico, o alvo na célula pós-sináptica e a zona de aposição entre as células".

    A comunicação ocorre quando os impulsos partem do axônio de um neurônio de um e são recebidos pelo dendrito de outro. Ligações mais incomuns também ocorrem, como entre dois axônios, dois dendritos, axônio para o corpo celular ou uma célula muscular. (TRISTÃO, 2019)


Potencial de Ação
Sobre os impulsos nervosos, Tristão (2019) explica que:
Os tais impulsos nervosos que realizam a comunicação dos neurônios com o resto do corpo, bem como com o meio externo, são sinais elétricos. Esses estímulos são íons transmitidos por meio de mudanças de carga elétrica e passam por toda a célula nervosa. Sendo assim, este fenômeno é chamado de potencial de ação. 

    O potencial de ação ocorre na comunicação entre os neurônios nos botões pré-sinápticos presentes nas extremidades de seus axônios logo ao lado da fenda sináptica. A membrana dos axônios gera o sinal que cai na fenda e é chamada de pré-sináptica, e a que recebe o estímulo, de pós-sináptica. Nesses botões existem os neurotransmissores que levam íons de uma célula para a outra, alterando a permeabilidade do neurônio pós-sináptico. Os neurotransmissores (mediadores químicos) são liberados na fenda após a chegada do sinal e chegam nas células alvo ligando-se às suas membranas, fazendo com que haja potencial de ação, tendo função excitatória (levar impulsos) ou inibitória. (TRISTÃO, 2019)


Transmissão Química
    Nas sinapses químicas são liberados neurotransmissores (mensageiro químico) através de um potencial de ação na fenda sináptica da célula seguinte. Esses neurotransmissores se ligam às proteínas receptoras na célula pós-sináptica, causando a ativação de receptores pós-sinápticos que leva à abertura ou fechamento de canais iônicos na membrana celular, tornando a célula positiva ou negativa. Depois os neurotransmissores são eliminados da fenda sináptica, liberando a célula para fazer novos impulsos. Cada neurônio pode ter várias ramificações, assim permitindo a ele fazer várias comunicações (receber e enviar sinais) com células ao mesmo tempo. (KANDEL; SCHWARTZ; JESSELL, 1995)


Figura 8 - Representação da sinapse química, mostrando a liberação de neurotransmissores que promovem a abertura de canais para Na + (despolarizando a célula pós-sináptica)

Fonte: Researchgate (2020). 


Transmissão Elétrica
    Na transmissão elétrica não se produz neurotransmissores para a mensagem de uma célula chegar à outra. Isso ocorre através de uma junção. Ela se difere da química também pelo espaço entre os elementos pré e pós-sinápticos ser muito menor. (CONTESSI, 2020)

Figura 9 - Comparativo entre sinapse química e elétrica
 Fonte: Contessi e Silva (2020) 

    Existe uma conexão física em todas as sinapses elétricas entre os neurônios pré e pós-sinápticos. Nessa conexão existe um canal ligante para que as informações passem de uma célula para a outra. Por esse tipo de transmissão, as sinapses elétricas acabam sendo mais rápidas que as químicas, mas, diferente das químicas, as elétricas não podem transformar um sinal excitatório de um neurônio em um sinal inibitório em outro. (LOEWI, 1936)



REFERÊNCIAS


STORER, Tracy et al. Zoologia Geral. 6. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2005. 816 p.

SOUTO, Ana Lucia. Estrutura do sistema nervoso: bncc ciências: ef06ci07. BNCC Ciências: EF06CI07. 2020. Disponível em: https://pt.khanacademy.org/science/6-ano/vida-e-evoluo-os-sistemas-do-corpo-humano/sistema-nervoso/a/estrutura-do-sistema-nervoso. Acesso em: 27 mar. 2020.

MACHADO, Angelo; HAERTEL, Lucia Machado. Neuroanatomia Funcional. 3. ed. Sem Local: Atheneu, 2013. 344 p. 

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. São Paulo. Fisiologia: Sistema Nervoso. 2012. Disponível em: https://midia.atp.usp.br/impressos/redefor/EnsinoBiologia/Fisio_2011_2012/Fisiologia_v2_semana02.pdf. Acesso em: 27 mar. 2020.

SANTOS, Maria Vanessa dos. Neurônios: já ouviu falar em neurônios? Leia este texto e amplie seus conhecimentos sobre o assunto!. 2020. Disponível em: https://escolakids.uol.com.br/ciencias/neuronios.htm. Acesso em: 30 mar. 2020.

PALMEIRA, Giselle; MACIEL, Márcia. Sistema Nervoso. Disponível em: https://centrodemidias.am.gov.br/storage/dmdocuments/18F8CIE009P1.pdf. Acesso em: 30 mar. 2020.

VIANNA, Luiz Felipe Castro Graeff. Introdução a Neurologia Veterinária. Disciplina de Clínica Médica II. UFRRJ. Disponível em: https://drive.google.com/drive/u/3/folders/1DOgvh4NBsinCBn9O1Rx8Vq6oSprAFfGn. Acesso em: 27 mar. 2020.

MAPA: fisiologia do sistema autônomo. 2020. Disponível em: https://www.nerdcursos.com.br/mapa-fisiologia-sistema-nervoso-aut. Acesso em: 30 mar. 2020.

LENT, Robert. Cem bilhões de neurônios? Conceitos fundamentais de neurociência. 2. ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2010. 748 p.

NISHIDA, Silvia M.. Sistema Nervoso Autônomo. 2007. Curso de Fisiologia 2007 Ciclo de Neurofisiologia. Disponível em: http://www.gruponitro.com.br/atendimento-a-profissionais/%23/pdfs/artigos/multidisciplinares/12_sistema_nervoso_autonomo.pdf. Acesso em: 30 mar. 2020.

COOPER, Geoffrey M.; HAUSMAN, Robert E.. La Célula. 5. ed. Madrid: Marbán, 2011. 818 p. Em espanhol.

BEAR, Mark F.; CONNORS, Barry W.; PARADISO, Michael A.. Neurociências: desvendando o sistema nervoso. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. 974 p.

TOHMÉ, Victor. Neurotransmissores e receptores colinérgicos. 2019. Disponível em: https://medium.com/mundo-molecular/neurotransmissores-e-receptores-colin%C3%A9rgicos-98cd3cde280c. Acesso em: 08 abr. 2020.

KAHLE, Wemer; FROTSCHER, Michael. Nervous System and Sensory Organs. 5. ed. Germany: Thieme, 2003. 406 p. (Atlas of Human Anatomy. Vol 3).

CASTELLI, Carolina. Sistema Nervoso Somático e Autônomo. 2017. Disponível em: https://waitimstudying.wordpress.com/2017/05/30/sistema-nervoso-somatico-e-autonomo/. Acesso em: 09 abr. 2020.

FARIA, Leonardo. Neurotransmissores: principais tipos e funções biológicas desempenhadas. 2018. Disponível em: https://meucerebro.com/neurotransmissores-principais-tipos-e-funcoes-biologicas-desempenhadas/. Acesso em: 09 abr. 2020.

ELLIOT, J.. Alpha-adrenoceptors in equine digital veins: evidence for the presence of both alpha1 and alpha2-receptors mediating vasoconstriction. 1997. Em inglês. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9280371. Acesso em: 09 abr. 2020.

FITZPATRICK, David; PURVES, Dale; AUGUSTINE, George; LAMANTIA, Anthony-samuel; HALL, William C.; WHITE, Leonard E.. Neuroscience. 3. ed. Oxford: Oxford University Press, 2004. 759 p. Em inglês.

RITTER, James M.; FLOWER, Rod J.; HENDERSON, Graeme; LOKE, Yoon Kong; MACEWAN, David; RANG, Humphrey P.. Pharmacology. 9. ed. Rang & Dale's Pharmacology, 2019. 808 p. Em inglês.

MOREIRA, Édisom de Souza. Os neurônios, as sinapses, o impulso nervoso e os mecanismos morfofuncionais de transmissão dos sinais neurais no Sistema Nervoso. 2017. Coleção Monografias Neuroanatômicas Morfofuncionais. Disponível em: http://editora.unifoa.edu.br/wp-content/uploads/2017/04/Volume-02.pdf. Acesso em: 27 mar. 2020.

KANDEL, Eric; SCHUWARTZ, James; JESSEL, Thomas; SIEGELBAUM, Steven; HUDSPETH, A. J.. Princípios de Neurociências. 5. ed. Porto Alegre: Mc Graw Hill Education, 2014. 1531 p.

TRISTÃO, Isadora. Sinapse - O que é, tipos, como e por que acontece? 2019. Disponível em: https://conhecimentocientifico.r7.com/sinapse/. Acesso em: 10 abr. 2020.

KANDEL, Eric; SCHWARTZ, James; JESSELL, Thomas. Essentials of Neural Science and Behavior. Mcgraw-hill Education, 1995. 540 p. Em inglês.

DRECHSLER-SANTOS, E. R.. Representação da sinapse química, mostrando a liberação de neurotransmissores. Disponível em: https://www.researchgate.net/figure/Figura-3-Representacao-da-sinapse-quimica-mostrando-a-liberacao-de-neurotransmissores_fig3_320719294. Acesso em: 03 abr. 2020.

CONTESSI, Roberto; SILVA, Emilio da. Diferencias entre sinapsis eléctrica y sinapsis química: Sinapsis Elèctrica g18c. 2020. Em espanhol. Disponível em: https://sites.google.com/site/sinapsiselectricag18c/diferencias-entre-sinapsis-electrica-y-sinapsis-quimica. Acesso em: 10 abr. 2020.

LOEWI, Otto. Nobel Lecture: the chemical transmission of nerve action. The Chemical Transmission of Nerve Action. 1936. Em inglês. Disponível em: https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/1936/loewi/lecture/. Acesso em: 10 abr. 2020. 




17 de mai. de 2020

O que é ser eu?



Conclusão: pessoas curtem o sofrimento alheio

14 de abr. de 2020

Tratamento psicológico+psiquiátrico x ainda desenhos

    Dando continuidade às minhas postagens sobre evolução de desenho: a parte virtual da coisa!

    Percebi que me tratar ajudou não apenas no traçado mas também em arriscar coisas novas. Eu sempre tive uma insegurança gigante e inexplicável de "ter certeza que vai dar errado" se eu tentar algo diferente.

    Como uso o Photoshop desde beeeeeeem criança, eu comecei a fazer efeitos em desenhos que eu havia feito a mão em papel. Seria começar algo diferente? Tive esses resultados iniciais:

Desenho original

Desenho retocado no Photoshop

Desenho retocado no Photoshop (ainda não achei o original em papel para colocar a foto junto)

    Foi então que me animei com os desenhos feitos a mão antigamente os melhorando ou mesmo mudando no computador:

Velho conhecido da "época dos rabiscos"

E agora modificado digitalmente

    Até as coisas que não sabia desenhar foram se tornando mais fáceis com os efeitos.

 O desespero por gritar por ajuda e ninguém entender também não era muito claro no papel

 Depois de editado pude adicionar tudo o que queria expressar mas a mão ansiosa com o lápis não tinha paciência para fazer

    Com o tempo tive um pouco mais de coragem para mudar. Comecei com colagens com efeitos e partes em desenho no Photoshop. Para variar eu não tentava desenhar mesmo com medo de fracassar, mas qual seria o problema se saísse ruim? Antes eu não pensava assim, tudo era motivo de autopunição.

    Foi assim que arrisquei isso só com colagens, efeitos e um pouco de desenho:


Uma das várias versões da montagem

    Um dia eu simplesmente comprei uma mesa digitalizadora e não me adaptei bem (tanto que estou a vendendo). Saiu algo infantil e inseguro, porém não ruim para uma primeira tentativa:

Meu tucaninho desenhado na mesa digitalizadora. Briguei muito com a falta de coordenação!

    Foi então que decidi tentar direto com o mouse e percebo que estou chegaaaaaando onde eu queria:


    E, com mais paciência nos detalhe, essa foi a segunda:



    Continuo aceitando críticas construtivas ou destrutivas, apesar de ninguém mais comentar no blog e sim pessoalmente ou por outras redes sociais. Mas fica ai o quadro de comentários por falta de vontade de retirar e por uma mínima minúscula esperança de haver novamente coisas nele.

25 de mar. de 2020

Tratamento psicológico+psiquiátrico x cores no papel

    Ninguém mais visita ou comenta em blog? A diferença entre a última postagem antes de voltar com ele e a anterior a essa foi gigante! Mas eu vou continuar com ele simplesmente porque eu gosto de escrever!

    E voltando ao assunto anterior, agora vendo uma outra perspectiva: os desenhos coloridos. Para começar eu nem fazia desenho algum colorido! Com certeza é parte do quadro de depressão que desde criança eu fazia meus desenhos só com lápis cinza e assustadoramente muito sombreados. É uma pena eu não ter um exemplo aqui das minhas árvores carecas e escuras de quando ainda estudava no primário.

    Os desenhos que comecei a fazer na idade adulta ficaram um pouco em cima da linha: inicialmente sempre em cinza, mas dessa vez com partes não sombreadas (costumava deixar nenhuma parte em branco, nem mesmo o fundo). Já achei bem estranho os primeiros terem espaços sem pintar de cinza e, mais ainda, que eu estava usando pelo menos 1 lápis de cor neles. Foi uma tentativa tímida de chegar em algum lugar. 

    Até que eu estava usando mais de um lápis de cor, mas os desenhos ainda eram feitos com pressa, rabiscados e com a maior parte cinza:

Aqui já usei 3! Todos da mesma cor e um branco, já era alguma coisa!

    Então eu passo pela perda de um pouco da ansiedade citada na postagem anterior, conseguindo ter um pouco mais de calma no rabisco e um pouco mais de cor:

Julie Newmar não deve ter se ofendido tanto como foi com a Amelia Earhart 

    Fui, inseguramente, abrindo mão do cinza.

Gaturamo-verdadeiro (Euphonia violacea)

    E dos rabiscos apressados...

Saíra-amarela (Tangara cayana)

    Então peguei muitas horas de calma, paciência e os outros lápis de cor:


Jandaia sol (Aratinga solstitialis)

    E consegui seguir, dando início a diversos desenhos de aves...

   

    E mais tarde iniciei fichas que ainda vou fazer algumas postagens.

Modelo atual. Essas também passaram por algumas mudanças, mais foram para facilitar o entendimento.

    Se eu estou curada? Claro que não! Isso foi apenas algo que percebi com o passar de muito tratamento, algo que esteve sempre ali e eu nunca havia analisado. Desde que sai de casa e passei a ter uma vida diferente a ansiedade está me largando, sinto que já não sou mais a pessoa que acordava com medo do dia e dormia pensando no dia seguinte. Ainda tenho bastante o que melhorar em muitas áreas, mas a evolução do traçado foi algo que um dia percebi estar bem nítida acompanhando as etapas que passei.

    Ainda falta uma postagem para concluir essa evolução. Em outro momento apareço aqui e escrevo!

    Será que alguém ainda me lê?

20 de mar. de 2020

Tratamento psicológico+psiquiátrico x traço no papel em preto e branco

    Nada melhor que ressuscitar meu blog nesse período de quarentena (mesmo não oficial no país). Nunca pensei que fosse viver um momento assim e, sinceramente, é bastante assustador olhar para fora e presenciar todo o comércio fechado e ruas desertas.

    Sem falar em tristezas agora (com certeza vão vir muitas ainda, pois mal voltei a postar), a primeira coisa que pensei em colocar aqui foi minha evolução nesse período.

    Abandonei os desenhos rabiscados e feitos com pressa (em média 20 minutos ou menos) e tratei de concentrar um pouco mais de calma no traçado. Antes eu tinha resultados como esse:

Na minha cabeça era a Amelia Earhart (coitada!)

    Acredito que meu tempo pintando camisetas a mão (depois faço uma publicação sobre  isso), juntamente com o tratamento psiquiátrico e psicológico influenciaram muito na minha ansiedade e foi visto de maneira "impressa" em meus desenhos. Não muito tempo depois eu tinha resultados como esse:

Agora é possível reconhecer!

    O desenho anterior ainda apresentava bastante insegurança em preenchimento e traços, mas hoje (mesmo sabendo que posso melhorar bastante) cheguei nesses resultados:

Jacaré-do-pantanal (Caiman yacare)

    Fiquei bastante feliz e espantada de quanto um tratamento em cima de um problema abstrato meu (psicológico e psiquiátrico) pode ter resultados tão visíveis. A dor realmente vem de dentro para fora e a gente nem percebe. Eu já tinha muita diferença de traço entre meus dias tristes e felizes, mas agora sinto que fiquei mais confiante na vida e isso foi claramente impresso no papel.

    Ainda tenho muito o que evoluir (dentro e fora).

    Qualquer hora faço um post mais legalzinho. Estou pegando o jeito novamente ^^

14 de mar. de 2020

Eu ainda tenho acesso ao blog!

Nossa... Estava aqui a toa dando uma olhada na internet quando me vem aquela curiosidade na cabeça: eu ainda sei o usuário e senha do meu antigo blog? E então vim parar aqui depois de ANOS sem o acessar! Seria um bom momento de voltar com algumas publicações esporádicas? 

Minha vida mudou demais nesses anos e não sei se eu teria tempo, mas vontade realmente não me falta. Se eu for voltar tenho que repaginar a coisa toda! Quem sabe...

5 de set. de 2010

Mudanças Demográficas no Meio Rural: A saída de adultos do meio rural para o urbano

Muitos são os motivos que levam o homem moderno a buscar novas possibilidades para sua vida. A saída do campo para a cidade pode ser para muitos o começo de uma vida melhor, de um sonho alcançado e realizado. Após tomada a decisão chega o momento de enfrentar as dificuldades dessa nova fase e todas as surpresas que a cidade guarda. Surpresas estas que podem ser tanto positivas como negativas. Este trabalho tem como foco o êxodo rural de adultos. Os fatores que levam estas pessoas a mudarem de vida e as conseqüências para ambos os lados: cidade e campo.

De acordo com o site Wikipédia (2010) “êxodo rural é o termo pelo qual se designa o abandono do campo por seus habitantes, que, em busca de melhores condições de vida”. Ou, resumidamente como disse o professor Vilson Francisco de Farias (2010) em entrevista concedida “êxodo rural é a saída da população do campo para a cidade em busca de melhores condições de vida”.

Foto: http://portaldeextensao.wikidot.com

O êxodo rural tornou-se comum em várias épocas de nossa sociedade. Até hoje muitos cidadãos buscam a saída do seu lugar de origem para outro em busca de uma vida melhor. O autor Giovani Marcos Fantin (2010) destaca dados importantes sobre o êxodo no Brasil, afirmando que “hoje mais de 75% da população vive em meios urbanos. Destes, mais de 15 milhões são migrantes de outras regiões do Brasil, onde famílias inteiras, vindas dos quatro cantos do país, chegam aos grandes centros, na ilusão de uma vida melhor”.

Mas quais serão os motivos que levam os trabalhadores rurais a irem para o meio urbano? Diversas são as razões que impulsionam estas pessoas a deixarem suas casas na tranqüilidade agrícola para a tumultuada vida na cidade. Algumas delas podem ser destacadas como: as dificuldades de se conviver com a seca, a falta de incentivos agrícolas, os baixos preços dos produtos agrícolas, oportunidade de emprego, redução do tamanho da propriedade de geração para geração (divisão entre os filhos) e a ilusão de que a cidade proporciona uma vida melhor.

Foto: http://www.es.gov.br

Falando em ilusão e sonho de uma vida melhor, de acordo com Grégori Michel Cizeweski (2010) “a saída para o meio urbano.. se dá por uma promessa de que a cidade teria possibilidades infinitas, e a construção que é feita do homem pós-moderno (não só do campo) de que podemos ter tudo o que desejarmos, e devemos desejar tudo que quisermos”.

Chegando no meio urbano, o trabalhador rural encontra diversas dificuldades. A mais notável delas está na sua falta de estudos. A falta de estudos do cidadão rural muitas vezes implica na sua capacitação para conseguir emprego, gerando outros dois grandes problemas: o desemprego e a falta de qualificação profissional para as atividades urbanas. Como conseqüência da falta de capacitação, tem-se o baixo salário.

Na cidade, com dificuldade para instalar-se e falta de condições financeiras e muitas vezes de planejamento, o homem rural acaba por ter problemas de moradia, fixando-se muitas vezes em favelas ou locais de risco, não tendo planejamento seguro de sua casa meramente improvisada pela falta de recursos. Assim geram-se mais dois problemas: favelização e crescimento desordenado das cidades.

Foto: http://irc.blogs.sapo.pt/arquivo/2004_04.html

O homem do campo tambem sofre de outros tipos de problemas na cidade. Um deles, muitas vezes passa despercebido quando fala-se de êxodo rural: o preconceito. Este preconceito que o homem urbano tem sob o rural na maneira de vestir-se, falar, agir, ouvir músicas e ter costumes locais. Preconceito este que deixa deslocado o cidadão rural dos demais cidadãos urbanos, servindo muitas vezes de piada.

A saída do individuo rural tambem traz conseqüências para o campo, pois dele dependem muitas atividades que são deixadas de lado, ocasionando o abandono das atividades agrícolas tradicionais nas pequenas propriedades. Assim, há falta de mão de obra braçal no campo. Esta saída tambem ocasiona o despovoamento do meio rural.

Foto: http://nuvemsobreoatlantico.blogspot.com

Com a falta de estrutura básica para viver e falta de capacitação profissional (muitos desempregados), muitas destas pessoas acabam marginalizadas, tendo de roubar para sustentar-se, assim ocasiona o aumento a violência nos centros urbanos.

Uma outra grande conseqüência do êxodo de adultos para o meio rural é que passa a surgir o aumento da mão de obra não especializada nas cidades, destacando empregos informais e aqueles que exigem menos na hora da contratação, como: catadores de lixo, empregadas domésticas, varredores de rua... Empregos estes que nem sempre pagam o suficiente para sustentar uma família e nem sempre são formalizados, mas por falta de opção estas pessoas acabam sujeitando-se a trabalhar sem carteira assinada, aumentando a pobreza e o emprego informal.

Foto: http://www.senado.gov.br

No fim, o êxodo rural de adultos deve ser muito bem estudado antes de qualquer atitude, pois suas conseqüências são grandes tanto para o campo quanto para a cidade. O trabalhador rural antes de qualquer tomada de decisão deve saber como vai viver, sustentar-se e manter sua família. Deve ter esses dados com segurança, pois a vida na cidade pode ser um sonho que torna-se ilusão alcançável.

Foto: http://bielleite.wordpress.com

Referências:
CIZEWESKI, Grégori Michel. Entrevista pessoal, 15 de junho de 2010.
FANTIN, Giovani Marcos. Portal do Agronegócio: Êxodo Rural e Urbanização. Acesso em: 15 jun. 2010.
FARIAS, Vilson Francisco de. Entrevista pessoal, 15 de junho de 2010.Wikipédia: Êxodo Rural. Acesso em: 15 jun. 2010.

Os comentários foram desativados:

tenho de 70 a 100 visitantes por dia e quase nenhum comentário nas postagens, apenas no meu e-mail. 

Acabei achando a sessão inútil de manter. Contato: JulianaOdeiaCafe@gmail.com